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afonsonunes

afonsonunes

06 Mar, 2009

Port - Free e Cale

Ainda poderia acrescentar o port dourado, mas de cada vez estou mais convencido de que, política e bola à mistura, resulta mesmo numa grande tourada, ainda por cima sem os bichos do costume, substituídos por outros com muito menos peso.

Mas, deixemos esse port e vamos aos outros dois, que tudo indica são irmãos gémeos, pela sua natureza ambientalista e carácter totalmente inundado em dinheiro, segundo os grandes conhecedores dos meandros que os envolvem e que eles espalham aos sete ventos, mesmo com o decorrer dos anos.
No entanto, sendo gémeos geneticamente semelhantes, encontraram um tratamento completamente diferente em quem devia tratar deles, com toda a celeridade, mas também com toda a igualdade, pois todas as discriminações são absolutamente incompreensíveis e intoleráveis.
O Free, port, obviamente, anda ao colo de toda a gente, como menino adorável e simpático, livre, como o nome indica, rodeado de todas as atenções, falado em todas as tertúlias e até alvo de enlevos e festinhas exageradas, segundo opiniões menos conservadoras e mais cuidadosas nestas coisas de lidar com gémeos.
O outro port, o Cale, sofre desde o início de um problema de esquecimento em relação ao seu irmão gémeo. Por vezes tem a sensação de que se esquecem de que ele também é um menino, logo, merecia a mesma atenção. É certo que lhe puseram o nome de Cale, mas nunca quis sequer imaginar que tal nome representasse a sua condenação ao silêncio, como se fosse um proscrito, vivendo lado a lado com o Free.
O Cale não queria de forma alguma que o Free estivesse votado ao ostracismo como ele, porque isso representaria uma atitude egoísta e de mau carácter. Queria sim, ser considerado de igual forma, aberta, faladora e até divertida pois, ser continuamente esquecido só porque é Cale, não lhe parece justo.
O Free, por seu lado, não parece reparar no gémeo, de tão atarefado que está. Até o tratador de ambos, quase não olha para o Cale, de tão embevecido que está com o Free, levando-lhe constantes brinquedos, ajudando-o a brincar com eles, contando-lhe histórias, muitas histórias, e ouvindo durante longas horas a sua voz já um pouco rouca de tanto falar.
Tal diferença de tratamento tem outro grande inconveniente, mais uma vez em desfavor do Cale. O tratador, já ensinou o Free a conferir extractos de contas bancárias. É mais uma discriminação, desta vez na área do conhecimento e da instrução. Não admira pois, que o Free seja uma criança já adaptada às novas oportunidades e apta a enfrentar todos os modernos sistemas de educação, fora do perigo de cair na ignorância das contas.
O Cale, é um caso de insucesso evidente, não por culpa dele, como é óbvio, mas porque o método de instrução que o seu tratador adoptou para com ele, não lhe deixa outra alternativa senão cair no esquecimento e receia mesmo que acabe por ouvir a ordem definitiva, para que seja Cale para sempre.
Esta marca Port, estrangeirada ainda por cima, corre o risco de invadir o país inteiro, se os livres e os calados continuarem a ser discriminados desta maneira.