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afonsonunes

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13 Jul, 2008

Poeira

 

A poeira, em muitos aspectos, tem características semelhantes ao fumo, quando ambos conseguem diminuir a visibilidade e afectar a capacidade visual dos nossos olhos. São fenómenos naturais, se considerarmos que a terra, o vento e o fogo são os seus causadores, mesmo que o ser humano não tenha aí qualquer interferência, sendo apenas a sua vítima eventual.

Porém, o ser humano também pode provocar esse fenómeno, levantando poeira propositadamente, com a finalidade de turvar os ares e confundir os seus semelhantes, quando não lhe interessa que eles vejam as coisas com clareza, ou lhes queiram impingir uma visão turva e distorcida dos factos.

Transportemos esta realidade para o futebol, teatro de todas as paixões, razão de todas as poeiradas e fumaradas que escurecem muitos gabinetes, de muitas personalidades que deviam andar preocupadas com outros jogos mais limpos e muito mais benéficos para as pessoas e para o país em geral.

Nos campos pelados ainda há poeiras naturais, mas esses já são poucos e de irrelevante importância para o grande público. Os estádios com relva impecável, não raras vezes são inundados de fumos indesejáveis mas, quanto a poeiras, apenas lá entram aquelas que certos sujeitos têm o mau hábito de atirar para os olhos de quem apenas queria ver bola e jogadores, mas acaba por assistir a exibições vergonhosas de más consciências, turvadoras de tudo o que devia ser espectáculo límpido, para ser emocionante.

Esta poeira pseudo desportiva entranhou-se de tal modo no país, que já ameaça a coesão nacional, pretendendo dividi-lo em mouros e celtiberos, só porque há uns sujeitos enferrujados que, sarcasticamente, e a toda a hora, se arrogam de invencíveis permanentes e antecipados, com direito a achincalharem os seus adversários, só porque sentem as costas quentes por quem toda a gente conhece como travões de tudo o que é limpo, mas ninguém tem coragem para denunciar de uma vez por todas.

Esta poeira que anda no ar é tão densa, como denso é o mistério que permite tanta lata, tanta baboseira, tanto descaramento, perante factos que ninguém refuta, mas que quem de direito não consegue punir por, aparentemente, se sentir enleado em teias que levaram a constituir-se em autênticas redes, que já parecem indestrutíveis, tal a malha burocrática que as protege e as torna quase inatacáveis.

É por isso que o país está doente. E muito dificilmente se curará enquanto o vírus que o corrói não for destruído por um potente antibiótico, ministrado por médico competente mas, sobretudo, muito corajoso, para se livrar das poeiras, das teias e das redes que tudo tentam para que a infecção continue.

As poeiras podem não matar, mas o vírus que nelas se esconde pode ser mesmo fatal.