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afonsonunes

afonsonunes

08 Mar, 2009

Já cheira mal

É verdade, mas parece que ainda ninguém notou, ou pelo menos não se nota que alguém tenha levado os dedos ao nariz e o tenha apertado, de forma a evitar o fedor que anda no aparelho de onde não tira os olhos dia e noite. Ainda que de lá venha um cheiro a esturro, de fazer perder todo o apetite, tanto à mesa, como debaixo dos lençóis.

Estou mesmo em crer que os portugueses ocupam o último lugar no mundo, no que toca a suportar maus cheiros televisivos. E o pior é que seremos também os últimos, no que toca a gostar de ser últimos em qualquer matéria. Por exemplo, lá vai mais um, os portugueses devem ser os que menos gostam de ser portugueses, no mundo inteiro.
Ora estes gostos não se adquirem só porque os portugueses são os que menos adquirem, mesmo considerando que devem ser os que menos gostam de adquirir seja o que for. Estes gostos existem, porque o estado não existe e, em consequência disso, não lhes dá gosto nenhum, sendo certo que é o pior estado do mundo a gostar dos portugueses.
Estas estatísticas são de tal forma originais que ainda nenhuma televisão as divulgou, pela simples razão de que as não conhece, mas se conhecesse, era assunto para uma semana, no mínimo. Isto se não descobrissem que as nossas criancinhas são as que mais mordem as maminhas das mamãs, ou que os nossos empresários resolveram despedir todos os colaboradores que tenham mais que um emprego.
É evidente que cheirar mal não é o mesmo que fazer mal. Uma simples campanha lançada através da televisão pode cheirar mal à minha pituitária, mas certamente que fará muito bem ao lançador, fazendo dele o mais famoso produtor de maus cheiros do mundo. E este, sim, já seria um dado muito positivo para o prestígio do país.
Há mesmo quem tenha a certeza de que existem campanhas lançadas por gente muito poderosa nas televisões, só que infelizmente não sabe quem são os lançadores. Aqui está um bom indicador de que há portugueses que conseguem saber, aquilo que na verdade não sabem. Depois, há quem desminta, mas as televisões acreditam mais nos que sabem que não sabem, do que naqueles que têm a obrigação de saber.
Sobre isto, também gostava de saber fazer um ranking de sabedorias mas, infelizmente, só posso afirmar que não percebo nada disto, o que me coloca muito mal, ficando quase ao mesmo nível que eles.
O que eu posso afirmar com toda a garantia, é que sei perfeitamente que, desde que fujo das televisões, como o gato foge da água, deixei de ter aquela sensação de que o meu país será o primeiro a ir ao fundo, no primeiro dilúvio que estará prestes a ser anunciado nas televisões.
Sim, porque eu já sei que elas sabem que vem aí o dilúvio, embora não saiba se elas sabem que também vão no tsunami destruidor que se seguirá às vinte horas de um qualquer dia, e que será transmitido em directo, por acordo já assinado entre as partes.
É claro que uma das partes são as televisões, a outra, por enquanto, está em parte incerta. Mas, está mais que certa neste negócio que, como tantos outros, já cheiram mal.