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afonsonunes

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09 Mar, 2009

O meu carácter

Como sei que é feio falar do carácter dos outros vou falar do meu, porque já seria um pouco estranho que alguém me viesse dizer que não tenho nada que me pronunciar sobre aquilo que tenho cá dentro de mim próprio. Isto, partindo do princípio de que tenho realmente alguma coisa, pois há quem não tenha mesmo nada.

Aquilo que distingue moralmente uma pessoa de outra, tem o nome de carácter. Partindo desta definição, sou levado a supor que não há duas pessoas com o mesmo carácter, pois haverá sempre uns ‘cagagésimos’ de diferença de uns para outros. Com tais medidas, não sei como é que alguém se atreve a ofender, ou a ficar ofendido, quando se fala de carácter.
Tal significa que se está a entrar no campo da moral, ou da distinção moral entre duas pessoas, que até podem não ter qualquer espécie de moral para se compararem uma com a outra. Ou, no campo da teoria, quem se ofende por ser acusado de não ter carácter, pode estar a ignorar o seu comportamento moral, a moralidade das suas atitudes perante a sociedade em geral, e as pessoas com quem lida, em particular.
Quando o caldo se entorna, é quase certo que, ou há moralidade ou comem todos. Mas, neste campo da moral, o que vemos é que, quem mais come e nunca sente a barriga a dar horas, é quem mais se ofende quando alguém lhe faz ver que o carácter também tem a ver com o modo como se fala dos outros, que até podem tê-lo ou não.
O problema do carácter tem muito a ver com o problema da moral que é, nem mais nem menos, uma ciência dos costumes e dos deveres do homem para com os seus semelhantes. Uma espécie de ciência dos bons costumes. Que se têm ou não têm.
Se cada um metesse a mão na consciência, certamente que não haveria quem se aventurasse nestas discussões estéreis de quem é que tem mais ou menos carácter, tudo por dá cá aquela palha, porque depois é muito difícil sair airosamente dessas embrulhadas.
Tanto mais que há sempre outros tipos de carácter escondidos atrás do reposteiro, à espera de uma oportunidade moralmente discutível, para entrar nestas ‘conversetas’ de tira e põe, à espera que lhes saia o rapa tudo. Entretanto, há quem se quede no deixa, a ver como param as modas. É claro que este, era um jogo antigo que já passou de moda e hoje há outros jogos, menos limpos, com muito menos carácter.
Como ficou bem visível, apenas falei do meu carácter, que não é nada de especial, comparado com o carácter de alguns famosos que eu conheço. Esses sim, têm montes dessa coisa, apesar de também terem montes de problemas de consciência, quando ouvem dos outros, o que não gostam de pensar de si próprios.
Haja dignidade, em tudo o que se diz e faz, porque isso também nos diz o que é ter ou não ter carácter.