Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

afonsonunes

afonsonunes

15 Jul, 2008

Dois doces vinhos

 

A região do Douro deu ao país o excelente Vinho do Porto, que não me atrevo a qualificar para lá do adjectivo com que o antecedi, por falta de qualificação da minha parte para o fazer correctamente. Mas não deixo de o saborear com aquele prazer que nos dá tudo o que é bom.
A Ilha da Madeira, paradisíaca região autónoma distante da parte continental deste país tem, igualmente, o seu excelente Vinho Madeira que, certamente, tem os seus apreciadores convictos, e possuidores de um gosto de que não se pode duvidar, pois os gostos não se discutem.
Tanto o Porto como o Madeira, deliciam muitas gargantas secas, nas mais diversas situações, com a diferença de que o Porto é continental, enquanto o Madeira é marítimo, mas também nacional. O continental dá-se melhor com o nacional do que com o marítimo, facto que já provocou alguns travos amargos a apreciadores menos qualificados.
Porto e Madeira têm muitas semelhanças na sua gestão empresarial, nos seus enólogos, nos seus produtores e nos seus cabeças de cartaz. Vinhos finos, é verdade, mas nem sempre vinhos meigos ou agradáveis, se tivermos em conta que sobem à cabeça de quem abusa deles, de quem se serve da fama deles, provocando verdadeiros ataques de histeria, de incontinência verbal e desenfreada malcriadice, aproveitando o facto de ninguém ser capaz de contrariar aparentes comas alcoólicos, que por vezes parecem mesmo autênticos.
Ainda está por explicar a razão desta coincidência de Porto e Madeira, com paladares distintos, apresentarem semelhanças tão flagrantes nos efeitos que produzem, nas reacções que provocam, na paranóia individualista e maldosa que desencadeia.
Como é evidente a culpa não é dos vinhos Porto e Madeira, ambos excelentes. A culpa é de quem não sabe tirar deles o lado bom, as virtudes da sua doçura, em detrimento dos azedumes que propalam, podendo vir a provocar perigosas associações de ideias negativistas que prejudiquem a imagem de dois produtos distantes geograficamente, mas tão próximos na dialéctica que os cerca e os prejudica inevitavelmente.
O Porto e o Madeira são bons de mais para subirem a cabeças tontas. Pior ainda se as tontices provocarem ressacas que são, inexplicavelmente, muito semelhantes.
 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.