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afonsonunes

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11 Mar, 2009

Uma boa escapadela

 

Embora elas existam desde há muito, a verdade é que mais recentemente caíram mesmo na moda, agora com um sentido mais aberto, que os antigos desaparecimentos breves, ou até momentâneos, envoltos em segredos muito especiais. Com o tempo tudo se vai democratizando, pese embora a teimosia conservadora de muitos ditos democratas.
A escapadela modelo deve andar pelos dois dias de um fim de semana, num bom hotel, geralmente bem acompanhado, ou bem acompanhada, num local agradável e, não raras vezes, suficientemente sonhador. Geralmente, longe de casa, mesmo quando com a família, por causa dos dissabores das rotinas quotidianas.
Quando se faz uma escapadela, é porque se quer escapar de alguém, de alguma coisa ou de algum lugar, que é como quem diz, fugir do tempo durante dois dias. Cá no meu entender, todas as escapadelas deviam ter, no mínimo, uma semana, que mais não fosse, para se poder dar um pouco de tempo livre e de descanso a quem ficou de fora dessas escapadelas.
Assim, bem fazendo as contas, é quase sempre um dia para a viagem de ida e outro dia para a viagem de regresso, admitindo que se não faz uma escapadela para ir da aldeia até à sede de concelho. Logo, fica uma ou duas noites para descansar da viagem. Mas, é quase certo, que o cansaço será maior no fim, que no princípio.
De qualquer modo, quem me dera poder andar assim, de escapadela em escapadela, de preferência sozinho, desde que não pudesse estar bem acompanhado, porque se tivesse de estar mal acompanhado, não seria mais que uma triste escapadela.
Se eu me chamasse Dos Santos, não teria que estar com toda esta conversa à espera de uma boa escapadela, nem teria mesmo que a fazer no fim de semana. Podia fazê-la à terça e quarta, sem perder os dois dias de vencimento. Além disso, seria muitíssimo bem tratado, ficaria muitíssimo bem instalado e daria grandes alegrias a dois grandíssimos amigos.
Costuma dizer-se que os amigos são para as ocasiões. Não há dúvida de que uma escapadela de dois dias, um dia para cada um dos grandíssimos amigos, conseguiu dar um ar de esquecimento da crise, por dois dias, e uma esperança de que aconteça nova escapadela, agora de cá para lá, talvez num fim de semana de Agosto, para acabar de vez com essa chatice das sombras nas estratégias internas e externas dos dois lados.
Quem pensa que as escapadelas só servem para o romance, está muito enganado. Mas, se alguém pensa que nas escapadelas não pode haver tempo para recordar um ou outro capítulo mais delicado, e aproveitar para lhe dar a volta ao texto, então estamos perante alguém que nunca fez uma escapadela de jeito.
Sinceramente, pela minha parte, fico feliz quando vejo tanta felicidade junta, pois, optimista como sou, tenho muita esperança de que reste alguma coisa para mim e para todos os meus concidadãos.