Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

15 Mar, 2009

Se me bates...

 

 
‘Se me bates, vou à polícia’, dizia a criancinha para a mãe, numa espécie de ameaça e numa demonstração de conhecimentos só possível num mundo em que tudo já aparece precocemente desenvolvido. Mas isto acontece realmente, porque a criancinha pode ainda não ter cara para levar uma ‘bolachinha’, mas já tem milhões de neurónios no cérebro para se defender daquilo que já tem a noção do que é o seu interesse.
Mal está a mamã e o papá, porque a sua noção daquilo que, realmente, interessa à criancinha é bem diferente. E é aqui que entra a educação, aquela que ninguém mais pode dar à criancinha, que vai crescendo, vai fazendo birras, vai ameaçando, e às tantas os papás já não sabem o que lhes resta fazer para não a deixar caminhar para o abismo, que eles sabem estar ali ao voltar da primeira esquina.
E está mais que visto que a criancinha, embora já crescidinha, entra no ensino pré-escolar e já dá uns pontapés e uns insultos à educadora, sabendo que não é esta que lhe vai fazer aquilo que os papás não foram capazes de lhe fazer lá em casa.
Depois, quando a criancinha já deu lugar à criança que se julga um adulto, com todos os direitos que tem e mais alguns que julga ter, passa das criancices para a violência que vê em tudo à sua volta. Com o sonho de ser alguém diferente e a vontade de conseguir distinguir-se de quem nada lhe deu ao jeito do seu gosto excitado, vai de experiência em experiência, até se transformar numa criatura difícil e, por vezes, indomável.
Se esta criaturinha não tiver quem lhe possa satisfazer desejos que ela reputa de indispensáveis, então teremos uma bestinha disposta a consegui-lo de qualquer maneira. E hoje é frequente haver situações destas.
Cuidado com as interpretações. Acabo de referir a evolução de uma criancinha. Repito, uma criancinha, e não das criancinhas em geral. Mal de nós todos, se fossem todas assim.
Pelo que tenho lido e ouvido, há soluções para tudo. Só é pena que venham de onde nada podem resolver, para lá de estarem a dar belíssimos conselhos às entidades de segurança e aos governantes. Que, pelos vistos, não seguem tão sensatos convites à abertura dos olhos, dirigindo o olhar na direcção correcta.
Tal deve ser entendido como falta de perspicácia e não a qualquer outra intenção, pois eu, que me considero perspicaz de mais, já percebi que o problema só se resolve com verdade, muita verdade, conjuntamente com a utilização de uns submarinos que talvez não estejam a ser utilizados para essa tarefa específica. Ora isso, é inaceitável. A verdade resolve todos os problemas. Basta dizer ao criminoso que ele é criminosos de verdade. Não é verdade?
Os submarinos, se já estiverem pagos, são para mergulhar a fundo e dar de canhão e de olhos fechados, com a pontaria afinada, ainda que digam depois que há desproporcionalidade de meios de dar. Ah! Mas sem violência, que os violentos ainda não andam debaixo da linha de água. Mas lá chegarão. Se não lhes chegarem a eles primeiro.
É claro que estas receitas não são minhas. Mas têm donos e donas. Por mim, já nem sei se os submarinos têm canhões. E se têm, se são de verdade.