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afonsonunes

afonsonunes

17 Mar, 2009

Os milagres da TV

Às vezes fico banzado ao olhar para a televisão, onde me apresentam pessoas com um formidável aspecto de juventude e boa disposição, de sorriso franco, aberto e aparentemente leal, quando o normal é ver essas mesmas pessoas com ar cansado, rosto com sinais de envelhecimento, denunciando uma certa tristeza, como se a vida lhes corresse pouco de feição, depreendo eu, na sua habitual ocupação.

Tão surpreendente transformação, só pode ser obra de excelentes profissionais da televisão no campo, ou melhor, na especialidade da cosmética, pois supera toda a concorrência nas outras áreas, não sendo fácil, por exemplo, a informação, conseguir encher-nos o olho e a mente, como aquelas cabeças completamente reconstituídas.
Valha-nos ao menos isso. Assim podemos dizer que a nossa televisão está ao nível das melhores do mundo em alguma coisa, enquanto eu, pouco assíduo telespectador, já sei que tenho um bom motivo para melhorar a minha performance televisiva. Quando quiser fazer uma ideia de como eram algumas personalidades, aqui há uns anitos atrás, espero que elas apareçam num programa em estúdio, (repito, em estúdio) e assim, obtenho uma boa imagem, que nem o arquivo possui.
Só é pena que esses ou essas especialistas internas, não tenham possibilidade de fazer idêntico trabalho para os programas do exterior. Evitavam a minha decepção, porque eu sou uma pessoa que gosto do que é bonito e do que é simpático, ainda que saiba que essas qualidades não são permanentes mas, quando eu não estou a ver, tudo bem, já não têm influência no meu estado de espírito.
Há, contudo, uma coisa que ainda não percebi bem. Lá que as tintas, as lacas, os cremes e não sei que mais, tenham o dom de modificar o visual, até entendo. Mas, a simpatia, o sorriso, a boa disposição, a serenidade, e não sei que mais também, essas coisas, não sei como é que os, ou as, técnicas do estúdio, conseguem meter em rostos, normalmente, tão ao contrário do que nos mostram durante aquelas entrevistas que parecem feitas no céu, aos anjos ou arcanjos que não andam neste planeta.
Estou quase convencido que a televisão, tudo o que quer, tem. Então, não percebo porque não tentam reconstruir as ideias de muitos dos habituais entrevistados, de forma que evoluam no tempo e me dêem soluções à medida dos meus desejos. Pois, pois, já percebi que o problema é exclusivamente meu, porque julgo que toda a gente pensa como eu.
Mas, ao menos, a televisão podia fazer um esforço, mesmo pequenino, dando-lhes uma ‘poçãozinha’, só uma colherzinha, antes de começar a função das perguntas e respostas, no sentido de obrigar essas personalidades a falar verdade, do princípio ao fim, e não fugirem aos assuntos que não lhes interessam.
É que assim, como diz o povo, quem vê caras (lindas) não vê corações (de pedra). E muitas das caras que vemos na televisão, são um hino às técnicas do estúdio.