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afonsonunes

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Já tenho dado uma espreitadela aos comentários online a notícias veiculadas por diversos órgãos de comunicação social. Digo espreitadela, porque não é aconselhável fazer mais que isso e, mesmo assim, não nos livramos de corar de vergonha, não pela cretinice de alguns comentadores, mas pelo simples facto de ainda haver, no Portugal de Abril, tantos energúmenos militantes.

Intransigentes e a vomitar ódio por todos os poros, contra todos os que não partilham dos seus disparates, acusam quem se lhes opõe de estar ao serviço de forças e poderes que devem, certamente, estar em contraposição às forças e poderes que eles próprios defendem, dada a malcriadice da verborreia que utilizam, contra quem não conhecem de lado nenhum, nem tão pouco têm garantias de que são piores que eles.
Em boa verdade, eles não comentam notícias. Eles comentam comentadores, eles insultam quem emite opiniões, coisa que eles não conseguem, nem sabem fazer, talvez, digo eu, porque não sabem nada de nada, senão insultar, para ir sempre bater na mesma tecla, que conduz ao disco rígido da sua intolerância para com um inimigo invisível, mas sempre presente na sua memória esgotada.
O Portugal de Abril não devia ser assim. Devia ter, exactamente, a liberdade que temos, mas podia ter também uma frase, ainda que pequenina, que garantisse a retribuição do respeito que temos por todos os nossos concidadãos. Essa pequenina frase seria de todo desnecessária, por isso ela não existe, se cada um de nós, dedicasse aos outros o mesmo respeito que os outros nos exigem.
Esses espaços, certamente criados para manifestação de liberdade de crítica e de opinião, estão transformados em pântanos infestados de mosquitos que, picando incessantemente, têm como objectivo monopolizar, amedrontar e afastar as vozes que os seus ouvidos repelem.
É por causa desses mosquitos que o ar está ali irrespirável. Não corremos o risco de os engolir, mas corremos o risco muito sério de sermos engolidos por eles, se tivermos a pretensão de nos intrometermos nas águas ou nos ares onde eles se encontram como peixe na água.
Só nos resta ser compreensivos e indulgentes, na esperança de que eles sejam felizes assim, livres à sua maneira mas, extremamente dependentes de uma deficiência que nem eles conhecerão bem, e que é o defeito de não serem capazes de ver nos outros, em ninguém, alguém que tem os mesmos direitos que eles.
Tenho muitas dúvidas de que eles sejam felizes assim mas, se o forem, tudo bem.