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afonsonunes

afonsonunes

19 Mar, 2009

Amanhã demito-me

 

Pois, já sei que estão a pensar que não faço cá falta nenhuma e até lhes dou toda a razão. Gente que diz que faz muita falta ao país e ao mundo, nunca se demite. Com certeza já viram a diferença entre mim e eles. Mesmo assim, gostaria de assinalar os principais motivos porque vou demitir-me amanhã, embora reconheça que isto é um assunto que não interessa a ninguém.
Não me demito já, neste momento, porque estou em vias de ir dormir, não tarda, e disso não posso demitir-me, senão amanhã, não estaria em condições físicas e mentais de tomar qualquer decisão, mesmo a de me demitir. Trata-se de um acto muito sério, que sei que não está ao alcance de muita gente que eu conheço, porque não é capaz de olhar para dentro de si próprio.
Mas eu sou capaz disso e de muito mais. Para começar, amanhã, vou iniciar o dia, de óculos na frente dos olhos, para ver bem o que vou fazer. Por enquanto, e até lá, só posso adiantar que a minha atitude não tem fins políticos, pela simples razão de que eu não sou político, nem tenho tentações de vir a sê-lo.
Também posso afirmar sem receio de desmentido, que não tenho dinheiro em paraísos fiscais, embora já tenha ido à Madeira, mas juro que não fiz lá depósito nenhum, a não ser na recepção do estabelecimento onde me alojei e, mesmo aí, ainda tentei regatear o preço. Fui logo avisado, que lá, só havia uma pessoa que podia regatear. E essa, toda a gente a conhece. Claro que não era eu, pobretanas e desconhecido.
Afirmo ainda que não tenho culpa nenhuma da situação que se vive no partido, que toda a gente reconhece que está partido e bem partido, logo, também não podem esperar que seja eu o endireita cá do sítio, obrigado a fazer milagres. Além disso, não encontraria ‘cola-tudo’ suficiente para tantos estilhaços, nem acredito que alguém se deixasse colar por um adesivo como eu, que nem partido tem.
Juro que não sou daqueles que vão à missa ao domingo, só porque é de bom-tom, parecer que se é o contrário daquilo que se é na verdade. Por acaso, até costumo rezar bastante pela saúde de quem não gosto, mas isso é fora da igreja e apenas para esperar que quem não gosta de mim, tenha atitude semelhante à minha.
Garanto que não sou daqueles que andam a toda a hora a dizer que o governo é um desastre, que o país está pior que estragado, ou ainda que no governo e no país, só temos gente inteligente e séria. Também não digo que o país pode ficar ingovernável, ou que a democracia está em perigo, como já ouvi dizer a gente ilustre.
Mas, aqueles em que menos acredito, são os que pedem a minha demissão só porque pensam que de mim não levam nada. Na realidade pensam e pensam bem, por que eu não tenho nada para lhes dar. Nem desilusão, nem esperança, nem nada.
Ora, se não tenho nada a ver com estas coisas todas, e com muitas outras que não cabem neste espaço inválido, porque será que me vou demitir amanhã? Pois, isso era o que eu queria saber já hoje, mas ainda não sei e, para já, vou dormir. Que vou demitir-me, essa é uma decisão que só tomarei amanhã.
Também tenho direito ao meu tabu, como tantos ilustres do passado, do presente e do futuro.
 

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