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afonsonunes

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Não, não, está tudo bem. Mas quem é que disse que havia problemas no meu sótão? Há gente que parece que nunca ouviu uns ruídos na casa dos outros, quando vive atolada em poluição sonora, por vezes insuportável, dentro da sua própria casa. Não querem lá ver, que no meu sótão, bem arejado, ambientalmente agradável e repousante, não podem ouvir um simples espirro de alívio, (santinho!), sem que falem logo em epidemia de gripe?

Eu percebo que há quem ligue muito mais a um ou outro espirro que ouvem no meu sótão, do que às sensatas palavras que constantemente estou a proferir, no sentido de ensinar os ignorantes que não sabem patavina daquilo que eu sei de sobra. É verdade, ainda não se aperceberam que estão a cometer um erro de lesa pátria, ao darem mais importância às mentiras vindas do palácio, que às verdades que se dizem no meu sótão.
Como já disse um dia, gostaria muito de viver no palácio, mas não posso. Daí que me vá remediando com o sótão arejado, tanto como as minhas ideias, onde clamo bem alto o que está mal no palácio, tudo, afinal, o que já de si inviabilizava a hipótese da minha ida para lá. Ah, mas já me esquecia que não posso.
O meu sótão é um sossego e um descanso, porque não tenho a obrigação de fazer trabalhos de casa, até porque para dizer o que está mal no palácio, só preciso abrir a boca e esperar que saia. O quê? Tudo aquilo que ninguém pode ouvir, por culpa exclusiva de quem leva os microfones todos para o palácio, deixando o meu sótão sem qualquer espécie de cobertura.
Já me chegou aos ouvidos que há quem diga que estou sozinha no meu sótão. Não é verdade, porque só eu sei o que é a verdade. Mentiras dessas só podem vir do palácio, para onde eu não posso ir, senão logo lhes dizia. Ai dizia, dizia. A primeira coisa que eu dizia era ordenar a mudança de tudo o que está no palácio para o meu sótão, porque não há dinheiro, nem para pagar às empregadas de limpeza de um palácio tão grande.
Não estou a querer dizer que aquilo esteja muito sujo, Deus me livre, ainda que de vez em quando, também goste de meter uma mentirinha na conversa. Não é por mal. Mas o problema não é a sujidade, mas sim, o ar fúnebre que já se respira ali. É que aquilo não vai durar muito mais tempo. É impossível iludir a morte durante mais de quatro anos que, por sinal, estão perto de se completarem.
É por isso que o meu sótão é tão criticado, e até assediado, por quem tem medo que ele se transforme em palácio, em ponto pequeno, como é óbvio, mas para mim chega bem. Só me custa que quem perde tanto tempo a olhar para o meu sótão, não leve uns microfones e me convide a explicar as mentiras que saem do palácio e, muitas vezes, até chegam aqui, ao meu sótão, que muitos julgam que já ameaça ruína.
Podem estar bem descansadinhos que Peta, a miss verdade, nunca vai desistir de mandar uns claríssimos ensinamentos, via ‘teleboca’, para o palácio onde ela diz que não pode vir a morar, embora gostasse muito mas, paciência, não tem dinheiro para nada.   

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