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afonsonunes

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23 Mar, 2009

Braços de ferro

Quase todos os dias me chegam aos ouvidos notícias que dão conta da existência de braços de ferro, embora a idade com o nome deste metal pesado, já tenha passado à história. Não porque ele já tenha caído em desuso mas porque, presentemente, há vários materiais de substituição, com evidentes vantagens e benefícios.

Numa época em que já há corações de plástico, mal se compreenderia que ainda continuássemos a ter braços de ferro que, além de serem demasiado pesados, se tornam bastante caros, devido à energia que é preciso gastar para os moldar. Basta recordar a velha forja do ferreiro que se esfalfava a malhar em ferro frio sobre a bigorna que só conhecia o martelo ruidoso.
Tal como já não se vêem pernas de pau, mas piratas ainda há, também não se admite que ainda haja quem sustente braços de ferro, só porque não quer perder aquelas velhas tradições de marretas teimosas, que tanto nos moíam o juízo.
Por vezes, pergunto a mim próprio qual o motivo porque esses simpatizantes e aderentes ao braço de ferro, ainda não repararam que o alumínio, por exemplo, tem uma textura completamente diferente, podendo proporcionar um conforto muito superior ao ferro, desde logo, pela sua cor e brilho, muito mais agradáveis.
Mesmo assim, ter um braço de alumínio ainda fica a perder de vista em relação a ter um braço de plástico, que até pode ter a cor que se desejar. E, bem vistas as coisas, não me custa a acreditar que o mercado tenha outros produtos mais caros, para clientes igualmente mais caros. A única desvantagem destas carestias, é que se perderia aquela imagem que a gente tem de um bom braço de ferro.
Parece que não tardará a aparição de lutas entre braços de ferro e braços de plástico e aí, bem nos podemos preparar para ver muitos braços de gesso, aumentando ainda mais as desigualdades braçais, embora com a vantagem de os braços de ferro não se prolongarem no tempo, só porque o ferro pode torcer mas não quebra, enquanto o plástico pode quebrar mas não torce.
Pessoalmente, estou convencido que acabará por chegar o tempo em que ninguém poderá impor braços de ferro a ninguém, porque nós, que felizmente ainda só temos braços de carne e osso, temos o dever de mandar todos os braços de ferro para o sucateiro mais próximo da nossa residência, antes que ganhem ferrugem. Mas isso só acontecerá quando nós formos capazes de cumprir as leis que fazemos, através de quem tivermos mandatado para tal.
Quanto aos braços de plástico, sou de opinião que eles devem continuar a existir, mas apenas naqueles brinquedos para crianças, como bonecos e bonecas de todos os tamanhos e feitios, desde que possam ser mordidos por gengivas com dentes, ou sem dentes, sem o perigo de provocar hemorragias. Tudo como manda a lei.
Portanto, daqui faço um apelo veemente a quem ainda goste de braços de ferro, que se reconverta, que se recicle, senão ainda acaba na sucata dos arredores.

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