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afonsonunes

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Esta coisa da pressão tem muito que se lhe diga e faz-me alguma confusão, ao pensar em quem é que a pode fazer, e quem é que tem de estar calado, aguentando tudo o que os outros queiram dizer, para não estar a fazer pressão a seu favor. É uma teoria que tem vindo a subir de tom, nos meios que mais envenenam o país, com a sua pressão nos media.

Comecemos pela ‘sindicalite’, que é uma doença que tem muita aceitação mediática, com vista a manter-nos atentos, não à pressão que eles fazem, mas às supostas ou imaginárias pressões, vindas de outros lados, que não lhes saem da cabeça.
O que vemos e ouvimos diariamente, são pressões em todas as direcções, no sentido de levar os decisores privados, públicos e, sobretudo, governamentais, a não exercerem os seus direitos e os seus deveres, exigindo que falem, que se expliquem, censurando depois o que dizem, com o argumento de que mentem, pressionam, fazem propaganda contrária aos interesses dos ‘pressionantes’ e, dizem eles, apenas tentam enganar toda a gente.
Eles avisam, eles ameaçam, eles boicotam, eles incitam ao não cumprimento de leis da república, eles têm o privilégio de poder ser inconvenientes, sempre pressionando.
Passemos à ‘partidarite’, que está de tal maneira enraizada nos portugueses, que até mesmo aqueles que se dizem imunes à sua acção corrosiva, não resistem a insistir em factos ou não factos, tendentes a fazer a defesa da sua mentira encapotada. Tudo o que dizem ou fazem, é exercer pressão sobre quem os ouve, para vender a sua doença.
Todos os partidos dizem ter muita força no país, todos falam em nome dos portugueses, todos sabem o que é melhor para todos nós. Só que nós, não conseguimos ouvir nem perceber tão úteis intenções, talvez porque eles não consigam exprimir-se em termos de gente com bom senso. Ou talvez nós não tenhamos o dom de ouvir tão culta linguagem.
Finalmente, temos a ‘clubite’, na qual o clube se assemelha muito a um partido. Tanto um como o outro, quando está em grande, é uma maravilha, não falta dinheiro, não há tristezas, mas há muita pressão para que tudo se mantenha assim, até ao findar da vida.
É uma doença contagiosa e altamente sujeita a riscos de toda a ordem. A violência verbal é o menor dos males que pode atingir os doentes mais moderados, mas a violência física já matou em muitos estádios. Agora, já há quem nos aconselhe a não sair de casa, se não gostarmos do que lá se vê.
Depois, a clubite é uma doença que discrimina. Toda a gente pode criticar tudo e todos no país, excepto se as críticas forem de jogadores ou dirigentes de clubes, para os árbitros ou seus dirigentes. Gente privilegiada esta, que tem mais honra que os mais altos representantes dos portugueses, pois a estes todos podemos criticar.        
Estas são três doenças graves, com gravíssimas consequências para o normal funcionamento da democracia. Digo, desde já, que não penso sequer que sindicatos, partidos e clubes não deviam existir. Muito menos pretendo desprestigiar, nessas instituições, tudo o que nelas funciona bem, e que é de utilidade insubstituível para o país e para os portugueses.
Digo, finalmente, que as doenças referidas, apenas dizem respeito aos doentes. Mas, acrescento que eles, esses doentes, estragam a democracia e a qualidade de vida do país. E, já agora, se tanto querem a verdade em tudo, então, primeiro, parem com a mentira. Senão, além de pressionados, também acabamos envenenados.