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afonsonunes

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Lembrei-me deste esperançoso dito popular a propósito desta fornada de ilustres que se juntaram em Londres, para nos tranquilizar acerca da nossa intranquilidade, restituindo-nos a confiança que eles próprios nos tiraram há uns bons tempos atrás.
Eles e os seus sucedâneos estarão, provavelmente, muito orgulhosos, contentes e satisfeitos, da fácil digestão daquela ‘almoçarada’ que eles próprios previam fosse indigesta, pesada e palavrosa.
Afinal, aquilo foi simplesmente um vê se te avias, porque eram todos de muito longe e havia que pôr tudo em pratos limpos e depressa, que no país de cada um deles havia muito trabalho de casa para fazer.
No final, depois do cafezinho e do digestivo da ordem, talvez até tenha havido uns suspiros de alívio, com umas palmadinhas nas costas e uma ou outra gracinha entre os mais divertidos, para dar ao mundo a ideia de que aquilo não foi só confusão e pancadaria nas ruas.
Estou plenamente convencido de que todo aquele arraial de pancadaria se teria evitado, se o comunicado do G20 fosse lido dois dias antes da reunião. Certamente que os manifestantes, tão satisfeitos como eles com os resultados alcançados, teriam desde logo regressado a casa, sem o incómodo das roupas sujas e amarrotadas.
Pois, eu também sei que os comunicados só se lêem no fim das reuniões. Mas, tendo em conta que os do G20 e os manifestantes já se conhecem perfeitamente, há muito tempo, podiam romper a tradição e alteravam a ordem de trabalhos, em proveito de todos eles.
 Ou será que alguém pensa que os primeiros foram lá para discutir? Tal como alguém pensa que os segundos foram lá para aplaudir as decisões dos primeiros?
Uns e outros já levavam a lição bem estudada, portanto, podiam perfeitamente, digo eu, combinar que a ‘almoçarada’ até podia ser uma espécie de casamento com entrada livre. Era só uma questão de pôr mais um pouco de água na panela da sopa, e mais uns papo-secos na açorda.
Assim, além da tranquilidade que nos transmitiram e da confusão que nos mostraram, podiam ter-nos dado a alegria de saber que todos sairiam de lá com as barriguinhas bem cheias, não do que se viu, mas de esperança de ver fugir para longe o espectro da fome e da miséria. Isso é que não há biliões nem triliões que consigam afastar. O dinheiro gira, gira, e torna a girar, mas vai parar sempre nos mesmos bolsos.
Pobres dos pobres, a quem resta uma única esperança - haja saúde e coza o forno.