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afonsonunes

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Começo por dizer que gosto muito de Leiria, apesar de não ter nascido aqui. Nas ruas, vejo muitas vezes a frase ‘Leiria é a minha casa’, como publicidade municipal. Daí que, isto que vem a seguir, contado, ninguém acredita, mas eu vou tentar dizer umas coisas que toda a gente pode ver com os seus próprios olhos. Toda a gente que queira ver o inacreditável de uma Câmara que pertence ao partido da verdade, da competência, da transparência e, acrescento eu, defensora dos interesses de algumas excelências.
Leiria, Rua do Alambique, Marrazes. Esta rua, onde agora só se entra e sai por um carreirinho, está com o acesso completamente cortado desde o dia 13 de Fevereiro, dia em que o seu piso abateu, abrindo uma enorme cratera, devido a um problema, há muito tempo evidente, nas suas infra-estruturas enterradas, ao qual os serviços da câmara não deram resolução, devido a um diferendo com um particular, parece que desde cerca do ano 2000. Só por acaso, o abatimento, mais que esperado, não causou vítimas mortais.
Assim, 17 famílias, com 15 garagens, não podem aceder a casa, senão a pé, por um corredor de cerca de um metro de largura, com risco de derrocada, que dá ligação a outra rua onde têm de ficar as suas viaturas. Levar coisas para casa, só às costas. Se houver um incêndio ou uma emergência médica, nenhuma viatura tem acesso à rua em causa.
Numa informação municipal afixada em vários locais da rua e seus limites, pode ler-se que se trata de “uma obra urgente” e depois, que vai decorrer “por tempo indeterminado”. Se não queriam ou não podiam fazer a obra, só tinham que arranjar um acesso provisório, até ao início dos trabalhos a sério.
Acontece que em mais de mês e meio, vão ali dois trabalhadores, em aparente regime de horário reduzido, havendo semanas em que ninguém ali apareceu. E, estranhamente, enquanto ali permanecem, passam mais tempo a discutir o que devem fazer, com pessoas estranhas à obra, que propriamente a trabalhar.
Entretanto, as 17 famílias desesperam porque, se em mês e meio pouco se fez, do muito que há para fazer, não vêem como se pode acabar o seu suplício e os riscos em que estão envolvidas, ao ritmo de duas lesmas, numa obra que devia ser urgentíssima, dispondo de meios adequados, para que nunca pudesse ser por tempo indeterminado.
Parece que a Câmara de Leiria tem interesse neste encanar da perna à rã, nesta ‘engonhice’ escandalosa, nesta incapacidade de decidir e executar uma obra, sem olhar a outros interesses, porventura obscuros, porventura poderosos, ignorando a situação de incomodidade, de prejuízos, de riscos vários, em que estão 17 famílias, penosamente limitadas, há mais de mês e meio, sem ver quando o seu pesadelo possa ter fim.
Todas as reclamações são sistematicamente ignoradas ou despachadas com mentiras verbais por quem não tem o mínimo respeito pelos direitos básicos dos cidadãos. Talvez pensem que não é bem visível o que não se faz, o que podia fazer-se e a desproporcionalidade entre a dimensão da obra e o tempo que, inutilmente, já lá vai.
Este é apenas um caso de verdade, seriedade e transparência de uma autarquia que muito se tem preocupado em atirar fogo de vista para o ar. Por vezes dou comigo a pensar por onde andarão certos órgãos que deviam ver estas coisas na óptica do cidadão sacrificado e maltratado.