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afonsonunes

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05 Abr, 2009

Poder XXL

 

 
Já ouvi falar no primeiro poder, no segundo, no terceiro e no quarto. Dos outros, se os há, nem vale a pena pensar neles, tanto mais que quatro, já nos chegam e crescem. Mas, vale a pena estabelecer uma espécie de hierarquização dos quatro citados poderes, assim do género dos tamanhos da roupa que compramos.
Toda a gente sabe que o S é o tamanho menor (small) e depois há o M, o L e o XL. Acima destes, e o maior de todos os tamanhos, há o XXL, isto é, destinado a pesos pesados, grandes ou gordos, melhor, avantajados, porque nem todos gostam de ser o que são, e muito se aborrecem, não sei porquê, por parecer aquilo que a gente vê.
Cada um é como é. Nem sei mesmo se ser demasiado magro, magricela, é melhor que ser gordo. É que, para os magrinhos, até o S é grande demais. Porém, o que eu queria mesmo salientar, era o facto do poder, tal como a roupa, arranjar maneira de ter um tamanho XXL, uma espécie de poder maior que todos os outros, um poder que evitasse os abusos de todos os outros poderes. Que são muitos, obviamente.
Pois é, todos os super poderes podem ser perigosos e perniciosos, risco que poderia eventualmente vir a atingir o poder XXL. Mas, isso é o que acontece agora com os poderes de S a XL, cada um deles, orgulhosamente, apregoando as virtudes do seu poderio, tantas vezes mal compreendido.
Mal, muito mal vão as coisas quando o S do poder, minimizando a sua pequenez, julga que lhe fica bem a vestimenta XL e vai daí, desdobrar-se em tentativas de mostrar serviço, insuflando-se até onde a vestimenta dá, correndo o risco de rebentar com estrondo, porque o esticanço, mesmo na roupa, tem os seus limites.
É aqui que entra a necessidade do XXL mostrar que há verdades que não podem ser escamoteadas pelos seus comparsas mais baixos e mais delgados, pois medidas são medidas, e são para ser respeitadas, sem tentativas dos magros quererem parecer gordos, nem haver uma dança constante entre aqueles e os médios, com os largos à mistura.
O XXL do poder não poderia calar o S, o M, o L, ou o XL, pois isso seria entendido como uma nova versão da lei do tipo da rolha ou, simplesmente, pareceria mal. Daí que a sua intervenção pudesse ser mais ao nível da formação interventiva, explicando pacientemente que, o que parece mal, é mentir. E, do S ao XL, tudo mente.
Então, denunciando uma mentirinha aqui, outra mentirinha ali, sempre haveria alguém que acreditasse mais no XXL, que nos outros todos juntos, até porque, poderia ir metendo alguns deles, mesmo momentaneamente, debaixo do seu arcaboiço esclarecedor. Tudo, no bom sentido formativo e informativo.
Inicialmente, do S ao XL, viriam lamentos de pressões corporais debaixo da roupa XXL, talvez até uns gritinhos de dor simulada mas, com o tempo, a lição iria sendo aprendida e apreendida, vestindo cada um a roupa à medida do seu corpo ao natural, sem artifícios e sem deformações de voz.
A roupa e as fatiotas XXL já têm regras bem definidas e segmentadas com rigor. O poder, todo ele de S a XL, é que ainda não tem nada.