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afonsonunes

afonsonunes

07 Abr, 2009

Contra quem?

 

 
Há certos pormenores, de grandes tiradas de ilustres personalidades, que bem nos revelam o que têm lá no íntimo, bem escondido, querendo que permaneça indecifrável mas que, de repente, qual rolha de garrafa de champanhe, pum, estoira com estrondo, como acto de irreflexão momentânea, que deita por terra aquela espécie de segredo proibido.
Fiquei a saber que há um processo contra alguém e não um processo que visa saber se virá a ser contra ou a favor de alguém. É, porventura, um pormenor fugidio para o declarante que, quando esteve em funções, importantíssimas, se habituou, provavelmente, a lidar com processos contra cidadãos que, depois, teve de os declarar nulos e de nenhum efeito, embora, ao que me parece, nem um pedido de desculpas mereceram.
É muito fácil arrotar postas de pescada para permanecer na crista da onda, mesmo que tenha de se subverter todos os factos, com pequenos artifícios de distorção, recorrendo a truques de linguagem que usam as aparências para pretender que sejam verdades. Claro que isso é um tanto eficaz para quem apenas olha para a rama que mexe, sem querer saber o que é que a faz mexer.
É muito fácil ser caçador de espera, que atira a tudo quanto mexe à sua volta, logo que pense que era disso que estava à espera. Só que as sombras são caça perigosa e, não raras vezes, lá se vai uma vítima de fogo amigo. Não é preciso ser amigo nem inimigo de ninguém, para perceber que devemos aos outros, o mesmo respeito que exigimos para nós próprios.
Não é preciso estarmos a favor ou contra alguém, enquanto apenas pensamos que temos razões para estar contra, se essas razões tiverem que ser apuradas por outros. Podemos gostar ou não gostar de alguém, podemos pensar bem ou mal de alguém, não devemos é condenar seja quem for, enquanto isso não for feito por quem de direito. É este direito que eu quero para mim. E, como tal, é esse direito que eu quero que todos tenham, pois não quero ser um privilegiado do destino.
Não podemos dizer que odiamos o caçador e depois descarregamos o nosso ódio sobre o cão que o ajuda a caçar. Não podemos dizer que odiamos todo o criminoso, só para citarmos um nome que queremos que seja criminoso, mesmo que esteja inocente.
Na verdade, estou farto de ver como aparecem certos processos contra pessoas. Processos que, logo à partida, foram apenas contra pessoas. Pessoas a quem não deram tempo para se defender, antes de condenadas na praça pública. Processos que nasceram na mente de pessoas que se evaporaram de cena, depois de verem que alguma coisa não resultou. E essas pessoas, nunca foram contempladas com um processo contra a sua pessoa, contra a sua mente, contra a sua intenção.
Fico espantado quando, nas mesmas circunstâncias, com outras pessoas, vejo muita compreensão, muita solidariedade, muita humanidade, e até um silêncio que parece uma conivência comprometedora. Então, até poderemos ouvir que o maior dos criminosos merece respeito e tem os seus direitos mundialmente consagrados.

Aí estou inteiramente de acordo com eles. A minha divergência, tem a ver com o oportunismo das conveniências. Não alimento ódios de estimação contra ninguém. Não gosto de falar de cor contra ninguém. Ninguém mesmo.