Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

12 Abr, 2009

De pura lona

 

 
Muito se falou em tempos não muito distantes de uma maneira de purificar o corpo humano, através da ingestão de um produto que esteve nas bocas do mundo por causa de uns possíveis efeitos prejudiciais à saúde. Parece que se pensou que em lugar de purificar, contaminou alguns dos tomadores.
É caso para dizer que, sendo de pura lina, acabou por ser de pura lona, visto que alguém que tomou aquilo, ficou mesmo nas lonas por algum tempo. Mas, já passou essa fase de desconfiança, pois voltou a ouvir-se falar muito das vantagens e mais nada das desvantagens. É costume arreigado em muitos espíritos, estar sempre a levantar desconfianças.
Esta coisa da limpeza interior do nosso corpo tem muito que se lhe diga. Limpeza que se destine a purificar, entenda-se, porque há limpezas que não são mais que banhos de porcaria. Se no exterior do corpo já é grave espalhar cremes de bem parecer, no interior é gravíssimo irmos na conversa de quem nos tenta impingir uma qualquer de pura lina.
É que, de pura, pode ter apenas a lona que, em lugar de nos deixar ok, nos põe completamente ko, tão inchados como qualquer balão que sobe ao ar, na maior. A seguir, nem a lina nem a lona, mais puras ou menos contaminadas, não há purificação que nos salve.
De pura lona é como eu vejo o país neste momento. Talvez precisasse de doses industriais de pura lina que, mesmo assim, não conseguiria entrar em todos os corpos, dada a renitência e a intransigência dos que já se julgam completamente puros, para se submeterem a qualquer tratamento.
Pelo contrário, eles entendem que são todos os outros que estão altamente contaminados com a doença da inércia e da acomodação, maleitas que eles consideram que só se resolvem à tailandesa. Essa sim, é a verdadeira de pura lina que faz falta ao país e aos seus avançados guardiões.
Aliás, já se ouvem vozes que, em jeito de receio, lá vão lembrando aos incautos que estejam preparados para a eventualidade de vir aí a de pura lona, antídoto perfeito para a de pura lina que outros consideram uma necessidade imperiosa para a salvação do país.
Acabado este período de uns dias de reflexão, talvez não fosse descabido que cada um se remetesse à sua condição de cidadão responsável, consciente de que o país precisa de muita construção de vias de desenvolvimento e progresso.
Na verdade, não precisamos de destruição, nem de lonas que minorem os seus efeitos. Estamos em Portugal, que tem de ser civilizado, progressista e equilibrado. Nesse sentido, ainda está muito por fazer.
Mas, tudo tem de ser feito com as regras da democracia e com a vontade de quem quer fazer, e não de quem apenas espreita uma oportunidade para desfazer.