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afonsonunes

afonsonunes

15 Abr, 2009

Faltam mais três

 

 
Talvez haja quem pense que já temos demais para falar alto, para falar pelos cotovelos e para estar calados quando deviam abrir a boca, que mais não fosse para bocejar. Essa não é a minha opinião pois, se já há muitos, eu penso que nunca serão demais para falar do que sabem e denunciar os que não sabem.
É claro que também há quem pense que o seu poder e a sua competência são ilimitados logo, podem falar do que não sabem e podem ter toda a razão para fazer aquilo que compete a outros fazer. Ora, se eles fizerem tudo o que querem fazer, os outros ficarão na prateleira, situação que, em política, é bastante incómoda, como se imagina.
Todo este arrazoado vem a propósito de estar a lembrar-me de alguns sindicatos que temos, e de outros que ainda não temos e, na minha opinião, faziam cá muita falta. Por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores de Belém (STB), o Sindicato dos Trabalhadores dos Governos (STG) e o Sindicato dos Trabalhadores das Assembleias (STA).
Há aqui dois sindicatos cujos nomes estão no plural. Com toda a lógica, porque temos um governo nacional e dois regionais, tal como temos uma assembleia nacional (espero que ninguém se excite) e duas regionais. Seria muito interessante para quase todos os portugueses, que esses sindicatos transferissem as suas caturrices para as suas sedes, onde a discrição seria muito maior.
Mas, vamos à fundamentação, que é uma palavra que já quase não se usa no dia a dia. Como a gente está a ver a toda a hora, o poder judicial, órgão soberano, tem os seus sindicatos, para fazer pressão sobre outros, e queixarem-se de que outros fazem pressão sobre eles. Duas funções importantíssimas.
Os outros órgãos de soberania, recebem pressões sindicais de toda a ordem e não podem responder porque, se o fizerem, já estão a fazer pressão ilegítima, segundo alguns sindicalistas. A única solução para esta anomalia é os restantes órgãos de soberania terem os seus sindicatos para lhes poderem responder em pé de igualdade.
Daí a necessidade da criação urgente do STB, do STG e do STA, mesmo contra a relutância daqueles que consideram que é muito melhor ouvirem apenas o que lhes convém. Que é aquilo que eles próprios dizem. Confesso que, no que me diz respeito, já tenho alguma dificuldade em encaixar determinadas vozes. Mas, também não tenho dúvidas de que passaria a ouvir outras, que não me dariam o melhor prazer de as ouvir.
Contudo, há que dizê-lo, não há nada pior que andarmos atrelados a uma cadeia de comando, paralela àquela que devia decidir, sem estar constantemente a ser posta em causa e a sofrer, até, as consequências de disfarçados, mas permanentes, boicotes a legítimas decisões, com alegações tantas vezes ilegítimas, de que não têm condições para fazer o que devem. A isso chama-se quererem o pior, para conseguirem o melhor para si próprios.
É por tudo isso que não deve haver órgãos de soberania privilegiados. Se um deles pode ter sindicatos, então que todos tenham. Do mesmo modo que há sindicatos que não podem fazer greve, o que é outra incoerência flagrante. Se podem ser sindicatos, devem poder fazer greve. Se não podem fazer greve, então não deviam ser sindicatos.
Já agora, se vierem a criar-se os três citados sindicatos, sugiro que não sejam os respectivos titulares desses órgãos, nem os porteiros palacianos, os escolhidos para presidentes dos mesmos. Não é por nada, mas seria evidente que uns, os segundos, saberiam de mais, enquanto outros, os primeiros, saberiam de menos, para contestar as decisões tomadas por quem de direito.
Porém, assim como assim, já estamos habituados a que nos façam crer que todos sabem muito, e de tudo.
 

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