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afonsonunes

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17 Abr, 2009

Quem faz o país

 

 
Apetece dizer que o país é o mar que temos como fronteira em cerca de metade dos nossos limites territoriais e onde podemos molhar os pés quando os temos a escaldar. É o sol que temos por cima de nós e que tanta inveja faz a quem nos visita. São as serras e os vales onde se dispersam casas ligadas por estradas boas e más e muitos caminhos que não conduzem a lado nenhum.
Mas o país também é gente que chora e ri, gente que não se conforma com o que tem, seja muito, seja pouco, gente que vai à luta sem olhar aos sacrifícios que a esperam em cada curva do percurso de que não desiste.
O país também é gente que não faz, nem quer fazer nada, porque espera que o país de que ela não quer fazer parte, tem a obrigação de a sustentar, com o que retira da boca de quem não pode realmente fazer nada.
O país também é gente que se está marimbando para as leis que o regem e para todas as obrigações que os outros têm, mas que não servem para ela. Também é gente que fala muito mas não diz nada que contribua para que toda a gente tenha um país melhor, por via do contributo de todos.
O país também é de todos aqueles que o insultam e do qual fazem parte, parecendo desconhecer que estão a insultar-se a si próprios. Mesmo quando os seus insultos ao país, tenham como destinatários ocultos, aqueles que lhe obstinam o pensamento. Mas esses, felizmente não são o país. Embora façam parte dele. No campo do lado deles, ou no campo oposto ao deles.
Este país será sempre, e sempre foi, o que são e o que foram os seus residentes. Um país que mete nojo, se alguém dentro dele meter mesmo nojo aos que são asseados. Porque até há quem diga que este país é uma merda. Quem diz isso, lá sabe o que pensa de si próprio, e o que faz para que não se veja aquela que lhe diz respeito.
Para mim, o meu país é a minha terra, e não o confundo com ninguém, alto ou baixo, gordo ou magro, consciente ou inconsciente, educado ou malcriado. Por mim, faço os possíveis para cumprir a minha obrigação para com o meu país. Se todos fizessem isso, tenho a certeza que ele seria bem diferente do que é actualmente.
Vindas lá de cima até cá a baixo, chegam aos nossos ouvidos bocas foleiras que apenas pretendem encobrir cumplicidades, fazendo-nos crer, ou dando-nos a entender, que o país está mal por culpa deste ou daquele. Se o país estivesse bem, aí os teríamos em bicos dos pés, lembrando contributos porventura inexistentes.
A verdade é que o país está numa fase em que muita gente está convencida que tudo tem de ser feito como cada um diz. E o que cada um diz é dito tão alto, que não deixa ouvir nada do que vem do lado. Como cada um diz sua coisa, é o país que paga as favas.
A esses, sim, podem ser endereçados uns piropos de maior ou menor bom gosto, porque o país, esse, não tem culpa de quem nele anda metido.