Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

21 Abr, 2009

Poder feudal

 

 
A minha memória anda um desastre completo, a tal ponto de não conseguir lembrar-me de uma alta personalidade que se referiu, não a sei a que propósito, ao facto de que tínhamos ainda bem implantado um poder feudal, que mina todas as coisas de que também já não me lembro mesmo nada.
Antes de mais, seria lógico que, se a memória não funciona, devia estar quieto e calado para não meter a patinha na argola, como se diz na gíria. Mas, eu sou lá capaz de estar calado e quieto, quando o bichinho que tenho cá dentro se levanta e põe o dedo no ar.
Não funciono propriamente em regime de braço no ar, porque isso são muitos dedos juntos. Mas, vá lá, um dedo apenas de cada vez, também tem o direito de se manifestar. Senão ainda acabo por ser acusado de também estar atado ao poder feudal em pleno século vinte e um.
Mas, deixemos os preâmbulos e passemos aos considerandos, antes que a memória me atraiçoe definitivamente. Parece-me que estava previamente decidido a entrar no poder feudal que ainda anda por aí. Se não me lembro de quem falou nisso, vou tentar inventar qualquer coisa semelhante, para não se perder tudo.
Sei que uma história destas não poderia deixar de se referir aos condes, elementos imprescindíveis em qualquer feudo, mesmo nos tempos hodiernos, quer ele mude de nome para valete no baralho de cartas, quer assuma que é uma espécie de pêra doce. Neste caso, até pode ser uma encantadora condessa de olhos mais doces que a pêra.
Penso eu que estes condes e condessas tenham um poder muito grande entre o povo que, provavelmente, nem sabe que eles já nasceram assim, poderosos para caramba, só porque têm o privilégio de poder julgar a plebe, sem apelo nem agravo, pois quando comparece perante eles e elas, já leva a corda ao pescoço.
Os viscondes e as viscondessas não têm o poder de julgar, mas têm o condão de levar a julgamento quem não lhes prestar a vassalagem a que julgam ter direito, por obra e graça dos favores dos condes e condessas, em retribuição das vénias que deles recebem.
Os marqueses e as marquesas têm como função garantir que os melhores nabos e nabiças vão ascendendo à honra de servir a hierarquia feudal que se eleva verticalmente, recebendo deles toda a servidão que a corte real lhes atribuiu depois do beija-mão.
Este é o poder feudal que me veio à cabeça desmemoriada. Mas também não esqueço os complementos directos desse poder e que ajudam a sustentá-lo. São os lacaios que, não tendo qualquer poder, conseguem muitas vezes, arranjá-lo à socapa, tornando-se muito mais perigosos que aqueles a quem servem e perante os quais se curvam até ao chão.
Claro que o poder feudal vem da realeza até aos nossos dias. E, logicamente, que não há realeza sem reis e rainhas. Bem podem perguntar-me onde estão, que eu já não me lembro de nada. Mas que alguém garantiu há bem pouco tempo que ainda havia cá um poder feudal, isso eu ainda consigo lembrar-me perfeitamente.