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afonsonunes

afonsonunes

23 Abr, 2009

Mas que chatice

Logo agora que já estava tudo esclarecido e decidido, logo agora que já só faltava executar a sentença, logo agora que a cabeça já estava assente, e bem assente, no cepo de execução, com as hordas ululantes a festejarem o cerimonial, aparece um desmancha-prazeres a estragar toda esta felicidade colectiva.

Está mesmo visto que não há justiça que consiga fazer-nos completamente felizes, pois no momento mais excitante de a ver concretizada, aparece sempre um lamentável incidente, provocado por gente que não tem credibilidade nenhuma, nem tem qualquer espécie de moral, para entrar neste julgamento há muito tempo concluído.
Aliás está mais que provado que o julgamento ficou decidido, e bem decidido, logo no dia do nascimento do caso. Há casos que são um nado morto, mas este não podia ser mais que um vivo nado condenado.
Andaram por aí a divulgar uns episódios pitorescos contados por uns palermas que inventaram umas histórias políticas, que tentaram contrariar todas as verdades políticas, mas o povo não acredita em nada, e faz muito bem, que não seja o que ouve e vê nas televisões. Pois é ali que estão as maiores sumidades do país.
É claro que os tais palermas até disseram que os tribunais já se pronunciaram contra a verdadeira verdade. Mas ninguém vai pensar que isso é verdade. Tanto assim é que as televisões e os jornais nunca se meteram nessas aldrabices. Basta a gente deter-se a olhar para as figuras que assumiram esses disparates.
As cronologias diárias que nos encantam, quer através de imagens, quer através de sons melodiosos, não deixam margem para se acreditar no mais pintado, que venha dizer que há falsidades, manipulações ou outras invenções, pois até o Chico da Quitéria já afirmou que não há ninguém no mundo que fale mais verdade que as televisões.
E disse mais o honrado homem de palavra. Que não acredita no que dizem os bastonários, nem os ministros, nem tão pouco os tribunais hostis. Portanto, tudo isto que agora estão a tentar arranjar à última hora, para tirar a cabeça do cepo, é pura manobra para fazer esquecer não sei quantos anos de verdades indesmentíveis.
Imaginem que o Chico da Quitéria ficou completamente indignado quando, ao folhear um jornaleco qualquer, viu com os seus dois que a terra há-de comer, que lá vinha a dizer que, afinal, foi tudo um equívoco. O quê? Então pode lá ser, um equívoco durar tantos anos? Um equívoco é os autores dessas tramóias que já devem ter os bolsos cheios de odores ambientais e de espirros dos camones, quererem trocar-nos os olhos.
É preciso ver que o Chico da Quitéria tem o exame da quarta classe, feito com distinção. Não queiram esses ignorantes desmentir o que ele diz, só porque têm os bolsos cheios de libras, enquanto ele, o Chico da Quitéria, anda à brocha para dar de comer às pombinhas que tem lá em casa.
Ou à moralidade ou comem todos. As libras não são só para inglês ver. É preciso que elas também sirvam para disfarçar a crise que nos esgana. E nós, sem podermos esganar ninguém. Mas que chatice.