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afonsonunes

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25 Abr, 2009

Pergunta e resposta

 

Já ouvi dizer que cada um de nós pode fazer uma pergunta, só uma, para depois ouvirmos a resposta a dez, na totalidade. Isto é uma coisa nunca vista, até porque ela vem através da internet, para a gente saber que já temos novas tecnologias. E, sobretudo, para quem não sabe que isto também é uma nova oportunidade.

Em primeiro lugar quero opinar que já estão todos os perguntadores com muita sorte, porque vai haver dez respostas, quando estamos habituados a não ter resposta nenhuma. Em segundo lugar, quero avisar que escusam de estar para aí muito eufóricos com a convicção de que a vossa pergunta vai ser escolhida para ter resposta.
Aconselho muita calma, pois até pode acontecer que as perguntas nem cheguem a dez, com a esperança de, pelo menos cinco delas, não reunirem condições para serem respondidas em público. Nesse caso, tenho quase a certeza de que as respostas às restantes vão ser muito longas, para encher o tempo disponível.
Ainda não é certo mas, dada a circunstância de se tratar de um acto de benevolência, deverá haver uma sessão privada de respostas às perguntas que se relacionem com desabafos mais desaconselháveis ao grande público. Mas, é bom não esquecer que, nesse dia, toda a gente merece uma resposta, nem que seja a condizer com a pergunta.
Todavia, há que encarar a hipótese de serem mesmo muitas as perguntas e, nesse caso, temos de ser compreensivos e tolerantes, competindo-nos encontrar uma solução para a nossa pergunta. Por mim, já a encontrei. Sim, porque nós devemos ser parte da solução e não parte do problema.
Com toda a naturalidade, já decidi qual a pergunta que vou fazer. Mas, com muito maior naturalidade ainda, já encontrei a resposta adequada. Daí que já seja menos uma, a tirar a vez a outra, porventura mais interessante que a minha.
Não me importo nada de dizer desde já que a minha pergunta é: Que dia é hoje? Também não me importo nada de dizer qual é a minha resposta.
Hoje é o dia em que se comemoram trinta e cinco anos de sucessivas esperanças perdidas. É o dia em que se vai tentar renovar esperanças em que eu já não acredito. É o dia em que se vai sacudir muita água do capote. É o dia dos habituais papagaios. É o dia em que vão aparecer cravos de muitas cores, mas nenhum igual àquele que apareceu no cano de uma espingarda. É o dia em que os discursos, todos eles, mais vão chocar quem tiver coragem e paciência para os ouvir. É o dia em que, talvez a melhor maneira de o comemorar, fosse um dia de silêncio, em profunda reflexão, sobre a maneira de conciliar interesses tão divergentes, ou não tivéssemos já visto os Capitães de Abril, os Sargentos de Março e os Generais de Novembro.
E pronto. Está feita a minha pergunta e está dada a minha resposta. Não preciso que gastem tempo comigo. Bem me basta o sacrifício de algum do meu tempo, ir ser gasto com quem o não merece, num dia em que vou recordar com saudade, as muitas horas e dias a ouvir esperanças que não resistiram ao tempo.
 

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