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afonsonunes

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Tenho cá para mim que ainda há umas tantas oportunidades, que não estão a ser devidamente aproveitadas nesta crise, que tem como protagonista o santinho mais detestado no país, por parte dos cidadãos mais inteligentes e esclarecidos da nossa praça.
Com um início destes, é inegável que temos de ir por partes, pois o saco é grande, mas não se pode tolerar que se meta lá tudo de uma vez, sob pena de se misturar oportunidades, com santinhos e com inteligentes. Muita coisa incendiável.
Há muita gente desempregada e talvez ainda haja mais gente mal empregada. Senão vejamos o caso das oportunidades citadas atrás. Os que estão mal empregados, isto é, aqueles que não merecem o emprego que têm, podiam aproveitar a oportunidade para mudar de vida.
Seria aproveitar a oportunidade de se lançarem numa nova actividade profissional, ainda não explorada como deve ser, uma vez que se trata do futuro dos recém-nascidos portugueses. E todos sabemos que uma grande parte deles nasce nas grandes maternidades. Até porque hoje já não há pequenas maternidades. Certamente que já ninguém se lembra que já houve.
Logo, para bem do país, essa gente devia ir vender chuchas para a porta das maternidades, dando uma boa oportunidade a muitos desempregados com qualificações e vontade de trabalhar a sério, de os substituir com todas as vantagens de eficiência e profissionalismo. Assim, a taxa de desemprego baixava imenso e fazia felizes muitos portugueses que só sabem falar disso. Pois, disso, da venda de chuchas, claro.
Como também referi, o santinho mais detestado é S. Bento, como único responsável pela crise que trouxe o desemprego e tudo o que de mau aí temos, incluindo a falta de fé e, por consequência, a falta de devoção e de orações a um santinho tão abençoado. Daí que o dinheiro da caixa das esmolas também tenha decrescido e, naturalmente, sem dinheiro, nada feito. Nada mesmo.
Em minha opinião, S. Bento perante a crise, bem podia ter rezado mais pelos fiéis devotos mas, ao mesmo tempo, devia ter excomungado os não crentes logo de início, para que não se julgassem acima das leis divinas e não ignorassem tão descaradamente a boa fé dos seus servidores.  
Finalmente, tanto as oportunidades, como a crise, como S. Bento, são os grandes motivos para o descontentamento dos cidadãos mais inteligentes e mais esclarecidos do país. Porque a inteligência que eles têm já não precisa de oportunidades. Porque a crise que os devotos sentem, não os atinge a eles, pessoas sobre dotadas, que nem sequer precisam de implorar nada a S. Bento, para terem todas as benesses ainda antes de pensarem nelas.
Mas então, não deviam estar assim tão descontentes com a sorte que têm. Mas estão. Só que o problema deles é que têm receio que S. Bento provoque um qualquer milagre inesperado e lhes retire tudo o que eles guardam no baú, como qualquer sovina guarda as suas poupanças.
Não. S. Bento, como qualquer santo de pau carunchoso, só faz milagres para conseguir a canonização. Depois dela obtida, os devotos que rezem. Quanto aos não devotos, podem estar descansados que ninguém lhes tira nada. Não é verdade que o vosso baú esteja em risco. Quanto à vossa inteligência e às vossas benesses, isso também não é verdade.