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afonsonunes

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28 Abr, 2009

Eu voto D. Fátima

 

 

 

 

 

 

 

 

 

D. Fátima convida os amigos e amigas para, na segunda à noite, pôr todos e todas a conversar sobre os assuntos que ela considera tão escaldantes, que até nem consegue estar sentada na cadeira, onde tudo deve ferver. Daí que fique de pé, entre os bons e os maus, com algumas boas e más à mistura.

 

É que assim, com a ventania que lhe chega dos dois lados, sempre lhe refrescam alguma coisa, principalmente os pés, porque deve ser muito cansativo dar aquelas voltinhas de girar para a direita, depois girar para a esquerda, mandar calar os que batem palmas e descortinar os que fazem comentários que precisam de ser comentados.

 

Mas, D. Fátima é insuperável com os seus amigos e amigas. Deixa sempre interromper toda a gente, deixa que eles e elas pratiquem aquele joguinho tão engraçado que se chama um contra todos, ou todos contra um, já nem sei bem, que isto de reuniões caseiras não é a minha especialidade.
Mas a anfitriã ri, com aquele riso feliz de quem tem consciência de que está a contribuir para uma ‘larachada’ daquelas que conduzem à felicidade comum, sobretudo dos produtores de larachas em casa dela, como se pode comprovar com a alegre gritaria e a feliz contribuição de cada um deles, para que não se perceba nada do que os parceiros dizem. Nem percebem que a gente também não os percebe a eles.
D. Fátima diz que tudo aquilo é feito para esclarecer toda a gente, mesmo os que estão em casa. Porém, esquece-se de um pormenor muito importante. É que as pessoas que ela julga que estão a seguir a sua reunião caseira de amigos e amigas, estão mas é a ver a novelazita, ou a conversa fiada da bola, do dia anterior.
Mas, não há a menor dúvida de que D. Fátima dirige aquelas conversetas de segunda à noite, com muita autoridade e competência. Sobretudo quando o assunto vira para a política. Sim, digo vira, porque aquilo, normalmente, é uma galhofa pegada, mas do melhor que há, para a gente descontrair e sorrir ao mesmo tempo.
Aquilo é muito melhor que o preço errado do Fernandinho, apesar de não ter lá as meninas que ele tem a sorte de ter. Mas, D. Fátima também convida cada uma, de alto lá com elas. Portuguesas, pois. Ali, ninguém pergunta como é que se diz chatice em checo. Toda a gente sabe que, chatice, é mesmo chatice.
Os momentos mais excitantes daquelas reuniões, são os dois intervalos que D. Fátima faz, para alívio dos convidados. Apesar de a sua casa estar apetrechada com dois quartos de alívio, aquilo é um desatino de gente à espera de aliviar mesmo, devido aos solavancos intestinais, provocados pelo entusiasmo das três partes do serão.
Estou mesmo convencido que, se D. Fátima resolvesse dar sessões contínuas, como no velho Olímpia, não haveria casa mais animada e divertida em todo o país e arredores. E lá se ia a concorrência de outra D. que ainda se gaba de fazer mais e melhores reuniões, também em sua casa. Mas essa é mais para ‘desconversetas’.
A propósito destas reuniões de amigos e amigas, lembrei-me que estamos a aproximar-nos de eleições. Não percebo porque razão D. Fátima não se lembra de dizer aos seus convidados que deviam falar sobre isso, quando os junta lá em casa. É que assim, ninguém vai lembrar-se que deviam ir votar.
Por mim, como não percebo nada do que dizem os amigos e as amigas, só posso votar na D. Fátima que, essa sim, percebo perfeitamente.