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afonsonunes

afonsonunes

04 Ago, 2008

Imagens de altar

 

 

Sempre houve homens e mulheres que se consideram acima dos comuns cidadãos, só porque desempenham uma determinada função na sociedade. Função essa que eles e elas consideram uma missão superior, uma espécie de desígnio só comparável às tarefas divinas, perante as quais os vulgares cidadãos têm de se curvar permanentemente, e respeitosamente, só porque se consideram profissionais absolutamente indispensáveis.

Vai daí que, além da correspondente diferenciação salarial, em alguns casos bastante significativa, reclamem ainda um estatuto especial de utilidade pública, acompanhado do dever de todos, mas mesmo todos os outros cidadãos, instituições e entidades, lhes prestem a toda a hora, a sua vassalagem e o seu elogio público, num reconhecimento inquestionável, sob pena de se sentirem humilhados e feridos no seu orgulho e na sua motivação de agentes intocáveis por serem indispensáveis ao país.

A verdade é que todos os cidadãos são importantes para o país, mas há quem desconheça isso. Não há profissões mais importantes. Há, sim, profissões com maiores qualificações, com estatutos próprios, logo, melhor remuneradas.

A questão do reconhecimento, em todas as profissões, deve surgir por via do desempenho, e por parte de quem é beneficiário dos seus serviços, e não por via do reconhecimento por decreto, ou da falsa bajulação de quem deles precisa.

Ser bom e ser útil, não se proclama. Demonstra-se todos os dias e a todos aqueles que necessitam de nós.

É assim que os verdadeiros homens e mulheres se impõem aos seus semelhantes e se distinguem daqueles que não conseguem ser como eles.

Homens e mulheres que não se colocam em bicos dos pés, nem procuram pedestais para ficarem mais visíveis, porque continuarão sempre a ser homens e mulheres e não uma espécie de imagens dos altares da sua imaginação.