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afonsonunes

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29 Abr, 2009

Doce Europa

 

Se há a doce Europa dos milhões que todos reclamam, também há a amarga Europa dos votos que quase todos desprezam e alguns até repudiam. Agora que temos aí cinco valentes à procura desses votos escondidos, não se sabe bem onde, apetece dizer que esses votos se assemelham a pepitas de oiro que constituem autênticos tesouros para quem os descobrir e conseguir meter no saco individual.
É minha opinião que devemos ser generosos e dar o nosso oiro, entenda-se votos, a qualquer um dos cinco valentes, os quais arriscam tudo, desde o sacrifício pessoal de ir morar para tão longe, como o incómodo de terem de fazer uma viagem de ida e volta de avião todas as semanas. Se não houver nada de anormal por cá.
Mas, antes de mais, diga-se que são cinco valentes porque, sabendo que nunca ficariam desempregados por cá, vão lá para fora com o único objectivo de deixarem vagos os seus lugares que tinham aqui, criando cinco novos postos de trabalho e diminuindo assim o valor percentual da taxa nacional de desemprego nuns preciosos ‘cagagésimos’. Não era toda a gente que seria capaz de tanta generosidade.
Depois, eles serão o garante de muitos milhões que vão entrar no país, através dos bolsos deles e dos seus acompanhantes. Não interessa se todos eles vão deixar muito ou pouco no partido, nas caixas das esmolas, ou nas bilheteiras da TAP. Que eles vão cá deixar algum, vão com toda a certeza. Nem que seja o dos impostos, porque eu não acredito que consigam enganar o fisco actual.
Por tudo isso, não compreendo a razão de tanta relutância de muitos dos seus compatriotas em dar-lhes o prazer de responder aos seus veementes apelos ao voto. Não porque pertençam a este ou àquele partido, mas porque vão pertencer ao nosso banco colectivo, a Europa, que já fez tantos milionários que a gente bem conhece.
Vá lá caros concidadãos, não liguem muito ao que eles dizem, nem se importem muito com o que eles fazem, nem pensem muito se eles são boas ou más pessoas, ou se eles faziam bem ou mal em estar sossegadinhos junto das suas famílias. Podem crer que não é nada disso que está em causa. Muito menos as guerras que eles fazem antes das eleições. Tão pouco se eles querem ou não falar da Europa. Pensem antes que, depois delas, lá longe, são amigos do bacalhau e da sardinha. Provavelmente, comerão disso poucas vezes, mas enfim.
A doce Europa dos milhões é uma tentação, porque enche o olho de muita gente que nem pensa na tristeza de outros olhos que choram com o estômago vazio, mas é também uma fonte de conflitos e de interesses, a que os nossos cinco valentes, e outros que com eles irão, nunca conseguirão fugir.
Os micróbios partidários que levam de cá, estarão sempre na linha da frente das suas guerras, mais de casmurrice, que propriamente ideológicas. Seria bom que os cinco valentes, ao menos durante os repastos que certamente lá tomarão juntos, façam um brinde a todos nós que os ajudamos a embarcar naquele avião que voa para os milhões.
Mas, antes disso, não nos massacrem muito, por favor. Já agora, não compreendo porque não há só uma campanha, se durante as três, apenas se vai falar de uma única coisa. Mas, os cinco valentes, lá sabem como é, tal como os seus chefes. Depois, o contribuinte é que paga.