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afonsonunes

afonsonunes

30 Abr, 2009

El mordaças

 

Uma mordaça já deve ser uma coisa asfixiante, suponho eu, que nunca tive essa experiência, até porque tenho alguma claustrofobia, não democrática, claro, pelo que sou um indivíduo feliz, por nunca ter sido escolhido para me acontecerem coisas dessas. Mas, há gente com muito azar. Tudo lhes acontece e de tudo são acometidos, suponho que traiçoeiramente.

Realmente de tudo tem acontecido a ‘el’ Mordaças, um homem impecável no tratamento com os outros, mas que, infelizmente, tem de usar a todo o momento a palavra inaceitável. Ainda não percebi muito bem o que é que ele não aceita mas, imagine-se, já vai com três mordaças em poucas horas. Uma, ainda vá lá. Mas três!...
Sim, porque ele não é nenhum ‘angel’ para suportar tais exageros. Lá vai uma, lá vão duas, lá vão três e um homem ‘ran’ que não coaxa mesmo nadinha, até pode cair, sem apelo nem agravo, naquela situação em que um homem pode ranger que se farta, a ponto de sentir uma certa claustrofobia democrática, a tal que eu nunca tive.
Mas essa das mordaças não me sai da cabeça. Não sei, sinceramente, se ele está a referir-se a um objecto que se coloca na boca. Realmente, é inaceitável, como ele costuma dizer, que aceite que lhe ponham tal coisa. É que isso do objecto é muito vago. Vamos lá imaginar que se trata de um objecto abjecto. Inaceitável, mesmo.
Porém, a mordaça também pode surgir-lhe na boca em forma de repressão da liberdade de falar. Aqui é que eu estou para morrer. Então um homem com aquele físico, deixa que lhe façam isso? Inaceitável. Começo a perceber porque é que ele está sempre caladinho que nem um rato. Está amordaçado. Tenho mesmo pena dele.
Mas, depois, ainda há uma terceira hipótese para a mordaça se implantar. Dizem que tem o nome de açaimo. Eh pá, isto aqui já é mais complicado. Muito mais complicado. É que eu não tenho memória de ver um açaimo num homem qualquer, quanto mais num homem tão sossegadinho e caladinho.
Aliás, essa do açaimo teria que cumprir outros requisitos, como a trela, o chip, as licenças e a voz do dono. Ora aí estão mais umas tantas coisas inaceitáveis, embora, como digo, nunca me vi numa situação dessas, o que torna estas palavras meramente imaginativas.
Contudo, quando se faz uma análise, ainda que meramente académica, temos de introduzir nela todos os dados possíveis e imaginários. E esta coisa da mordaça, não é um assunto de ‘lana caprina’, como se pode pensar. É que, à custa de tanto se falar nela e em tal quantidade, é como uma pandemia que se julga vir a caminho.
É por isso que eu penso, e sempre pensei, que ‘quem fala na barca quer embarcar’. Parece-me bem que se fale na barca, que se fale na mordaça, que se fale de tudo. Mas, vamos lá tirar todos os macaquinhos da cabeça e, sobretudo, vamos abandonar essa ideia de meter macaquinhos na cabeça de quem se julga que é atrasado mental e, por isso, aceita todas as parvoíces que parece que dão jeito no momento. Seria bem melhor, deixar que sejam os outros a ter o exclusivo das parvoíces.
Se alguém tivesse, não três mordaças, mas apenas uma, não podia dizer tanta ‘asinarice’.