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afonsonunes

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Quando se fala em 1º. de Maio é preciso saber de qual deles se está a falar pois, por muito que se queira fazer crer que é, simplesmente, o dia do trabalhador, a mim, ninguém me engana, não. É que está hoje muito claro que há trabalhadores de muitas especialidades e, qual delas a mais ciosa da sua fidelidade aos ideais desse dia.
Aliás, o mesmo que se passa com o 25 de Abril, que já passou pelas mesmas diabruras, dos mesmos fidedignos, estando agora naquela de banho-maria, que faz com que as primeiras comemorações unânimes, se tivessem transformado em festas, principalmente, dos que mais têm atraiçoado datas tão importantes, que mereciam mais respeito pelos ideais que representam.
Se esta era a festa dos cravos na lapela, logo surgiram aqueles que detestam o vermelho e, por consequência, acharam que não tinham coragem de aparecer com cravos de outras cores. Portanto, adeus 25 de Abril de 74, e aí temos os sucedâneos tão em voga em muitas outras coisas.
Do mesmo modo, assistimos agora ao 1º. de Maio comunista, ao 1º. de Maio socialista, ao 1º. de Maio social democrata e ainda às festividades mais restritas de outras origens, sempre em locais diferentes, para que as vozes que espalham pelos ares, sejam também bastantes diferentes nos tons e nos temas em discurso.
Até os líderes partidários ou os seus segundos planos, aparecem para dar uma ajudinha com os seus discursos, ou apenas com as suas presenças de apoio aos seus cabos, mais graduados ou menos graduados.
Vão longe os tempos em que, nestes dias, estava tudo encerrado. Não havia onde tomar uma bica, nem onde comprar um pão do dia. Hoje, compra-se tudo, vende-se tudo, em estabelecimentos abertos mesmo ao pé da porta da nossa casa.
Para uns, assim é que está bem, pois conversa não tem nada a ver com comodismos. Para outros, assim é que está mal, pois lá se vão os ideais que deram ao povo a liberdade, mesmo que tenham dado pouco mais.
Quanto a mim, está para se fazer a reflexão sobre os motivos que deram origem a esta situação, que tende a agravar-se de ano para ano, em que vão murchando os cravos em cada vez mais lapelas, e em que se vão consumando cada vez mais excessos de uns tantos supostos revolucionários ou, se quiserem, revolucionários da cacetada, que vão matando os bons princípios que norteavam a revolução e as suas comemorações.
Pena é que nem todos os organizadores e responsáveis por esses eventos, não sejam capazes de os prevenir e condenar sem hipocrisias, em vez de os atribuir a fenómenos que só demonstram as suas reais intenções.
É pena que se não averigúem os autores desses desacatos, para se saber se realmente eles são vítimas de fome ou outro tipo de miséria. Neste caso, alguém estará a pensar por que motivo eles não empregaram armas de fogo, em lugar dos punhos e dos pés. Ou se eles pertencem a uma daquelas classes ou corporações que a gente sabe como têm reagido em certas situações. Neste caso, eles só conhecem a democracia do seu ego.
Talvez não estejamos longe de ver onde é que isto vai parar. Para já, o mês de Maio vai sofrendo cada vez mais de mal murcho que não parece possível recuperar, enquanto os democratas exaltados não recuperarem a calma. Senão, em lugar de Maio, teremos desmaio.  
 

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