Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

02 Mai, 2009

O senhor Ilicito

 

Este senhor, tanto pode ser um gajo impecável, como um senhor um tanto abandalhado mas, num caso ou no outro, para se ser Ilícito, tem de se ter características muito especiais, entre elas, a de se ser muito esperto senão, o Lícito salta-lhe em cima imediatamente.
Ora, como toda a gente sabe, o Lícito é um sujeito gordo de mais, para que o Ilícito se deixe calcar pela enorme barriga do seu perseguidor. Embora magro de físico, o Ilícito é muito ágil, porque sabe que não pode ter barriga, senão nas pernas, para fugir sempre que for preciso.
Ainda ontem dei com o senhor Ilícito a fazer uma cena dos diabos por causa do seu cãozinho de estimação, que resolveu fazer o que muitos cães vão fazer à rua, por expressa vontade dos seus adoptantes. Logo que se apercebeu que o acto ia ter lugar, o senhor Ilícito desandou imediatamente das proximidades do animal e foi estacionar as pernas, a uns bons cinquenta metros dali.
Terminado o acto, o seu fiel amigo, já aliviado, correu ao seu encontro. O senhor Ilícito, de trela enrolada na mão, retomou o seu caminho, julgo que também aliviado por não ter gasto um saco de plástico que não trazia consigo, nem se ter maçado a dobrar a espinha a apanhar o resultado final do acto.
O senhor Ilícito trazia uma trela mas o cão, não, portanto, a trela era só para demonstrar que era o senhor Ilícito que precisava de trela, para si próprio. Aposto que ele dirá em qualquer lado que é muito amigo dos animais. Mas nunca poderá dizer que respeita as pessoas que passam na rua, logo, é um verdadeiro inimigo da saúde das pessoas.
Mas, o que mais me apetece realçar, é a certeza que o senhor Ilícito tem de que nunca aparecerá junto dele e do seu fiel amigo, o senhor Lícito a chamá-lo à ordem mas, sobretudo, à razão, de saber comportar-se na rua como manda a lei.
É que assim, fico a pensar que o senhor Lícito não existe. Existem, sim, multidões de Ilícitos que, com cães ou sem eles, transformam o país num lugar onde se torna muito difícil viver e, qualquer dia não muito distante, se tornará muito difícil sobreviver, se os senhores Lícitos continuarem a não agir, como se eles próprios também se chamassem Ilícitos.
É bem de ver que o país tem lugar para toda a gente e para todos os animais, mas não deve ter lugar para ninguém que resolva chamar-se Ilícito. Pela simples razão de que é um nome feio para qualquer pessoa civilizada. Mais, qualquer pessoa que ainda o seja, devia retirar do nome a primeira letra, transformando-se num autêntico lícito em tudo o que faz e o que diz.
Depois, há para aí um sem número de Ilícitos que, com vontade de o serem cada vez mais, não só aplaudem todos os seus homónimos, como estimulam e incitam todos os Lícitos a que se juntem a eles.
No fim de contas, para estes Ilícitos, o país ainda é vítima dos que se prezam de ser Lícitos.