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afonsonunes

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Esta conversa do bloco central faz-me lembrar aquele sujeito que foi convidado para levar um arraial de pancadaria, e ele foi. Ele há gente para tudo. Foi na maior, porque pensou que os amigos de há vinte anos, não se tinham transformado em pauliteiros ao serviço da justiça da pré-história. É que a pré-história já tem muito mais de vinte anos.
O que é que isto tem a ver com o bloco central? Tem, sim senhor. É que a guerra, perdão, o arraial de pancadaria já não se faz com paulitos, mas com blocos que, por acaso, podem ser feitos com a mão canhota, ou com a mão dextra. Há quem utilize outros termos para caracterizar as mãos, mas eu não me quero meter nisso. Sou demasiado conservador, na gramática.
Esta coisa da canhota ficou-me de pequeno mas, nunca embirrei com os meus amigos, miúdos em idade escolar, que tinham a mania de lançar o pião com a mão dextra. Sim, dextra, porque me arrepio logo, e fico com pele de galinha, quando oiço outros termos com o mesmo significado.
E o berlinde? Oh, o berlinde. O Janota tinha um berlinde amarelo que abafava os outros todos. Mas, não tolerava que ninguém usasse berlindes de outra cor. E, de vez em quando, lá fazia valer o seu físico, por sinal avantajado para a idade, e toma lá que já almoçaste. Dava com a canhota e com a dextra, mas nunca com a do centro.
Como facilmente se depreende, não há mão central logo, não se pode fazer um bloco central, porque a haver tal coisa, a chapada, a porrada, a paulada, até mesmo as empurradas, nunca fariam a delícia dos seus indefectíveis espectadores e entusiasmados defensores, por mais voltas que pretendam dar ao texto. Sim, porque o testo que eles conhecem melhor, é aquele que tapa e destapa, consoante lhes der mais jeito.
Este bloco central agora gerado por alguém que parece já não poder gerar nada e, pelos vistos, já muito pouco pode gerir, não seria mais que um nado morto, do mesmo modo que o foi o seu nascimento e o seu imediato funeral.
A confusão entre o texto e o testo, é muito semelhante à confusão entre o gerar e o gerir. Depois, de confusão em confusão, lá se confunde a paulitada dos canhotos e dos dextros, com a paulitada dos pauliteiros que fazem disso uma dança, em que os paulitos nunca acertam nas cabeças. Trocam as paulitadas entre si, sem magoarem ninguém, principalmente, os convidados ingénuos.
Quem anda metido nas confusões, nem se apercebe que o centro só existe em geometria. É como esse jeito que algumas pessoas têm de fazer de conta que são muito mais pacíficas que ninguém, e que são paladinas de todas as liberdades e defensoras de todos os direitos do mundo. Até parece que se julgam o centro de tudo e de todos, quando toca a defender ou a atacar.
Mas, vá lá, lembrem-se que todos, dextros e canhotos, também têm os seus direitos, liberdades e garantias. Constitucionalmente reconhecidos. E não são as teorias de trazer por casa que alteram a Constituição. Vá lá, lembrem-se que até os miúdos na escola, já não são obrigados a ser dextros, à custa de mais ou menos paulitada.