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afonsonunes

afonsonunes

05 Ago, 2008

As ências

 

 
 
Podemos começar pelas excelências que todos os dias nos dão o conforto moral das suas palavras amigas para suportarmos as exigências de um dia a dia repleto de incongruências, que a nossa indisciplina mental não consegue controlar. Não conseguimos nós, mas conseguem elas, as excelências, através do seu superior poder de orientação invisível, mas eficaz, das nossas vidas.
Não, não venham com essa das independências de que podemos usufruir, porque essas só as conseguem os colonizados e, mesmo esses, continuam a queixar-se de muitas carências. Por causa das inconsciências de muitas das excelências que teimam em oferecer conforto moral e outras incoerências.
A nossa permanência neste estado de sonolência deve-se muito à reconhecida tendência para a subserviência. Pois, lá estão já aqueles que mais se julgam da resistência, a proclamar a nossa negligência na luta pela quebra desta apregoada dependência de toda e qualquer excelência.
A verdade é que quem mais exalta as suas valências para combater as excelências, é exactamente quem mais evidencia uma total demência, por contribuir para a irresponsável desobediência às leis, que quase sempre nos coloca no centro da violência.
Para tudo é preciso um pouco de ciência para contrapor à ignorância, tal como um pouco de irreverência para nos acordar da dormência excessiva sem, contudo, colocarmos à evidência o instinto natural de uma vivência capaz de fazer uma grande concorrência à nefasta influência que chega a roçar a indecência sobre a nossa vida.
Porém, a intransigência contra as excelências é sempre arriscada, ou não fossem elas a essência do domínio sobre muitos, e da sua sobrevivência, apesar de ser dali que vem a subsistência que mantém a miséria e até estimula uma certa indigência.
Que ninguém toque nas excelências, para que elas possam manter as aparências, gerir as influências, controlar as divergências e dar-nos algumas condescendências.
Para nós, sobram montes de paciências.