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afonsonunes

afonsonunes

11 Mai, 2009

Isto funciona assim

 

Em muitos serviços públicos aparecem incentivos à reclamação e à sugestão como forma, dizem os incentivadores, de melhorar o funcionamento desses serviços. Em teoria, a coisa até estaria certa se não houvesse por lá uns senhores muito senhores do seu nariz e muito ciosos dos compromissos de amizade, e não só, que os mantêm ligados em série.
Agora até há grandes anúncios na entrada desses serviços, informando que há livro de reclamações. Parece que os reclamantes aumentaram, quebrando aquele sentimento de que mais valia estar quieto, que meter-se com senhores intocáveis.
Mas, por casos concretos que conheço, logo que as reclamações vão mexer com o circuito fechado das amizades e influências, muitas vezes umas e outras altamente perniciosas, lá tem de se reprimir momentaneamente o indómito fervor da abertura de espírito e o manifesto desejo desses arautos do bem-fazer, em se transformarem em modelos de qualquer coisa.
Se transportarmos estas maneiras de funcionar para as autarquias, a coisa assume aspectos verdadeiramente desesperantes. Muitas freguesias e câmaras, são poços sem fundo, onde o favor pela amizade, ou o interesse pelo retorno da amizade, são componentes de um poder dito local, que subverte todos os princípios da moralidade e da equidade entre cidadãos.
 Não há livro de reclamações que ponha ordem em determinadas atitudes de autarcas, que até são considerados modelos na forma atinada e séria como gerem os milhares ou milhões que lhes põem nas mãos. Mas, quando toca a mexer nos amigos e amigas, que até podem ser de cor oposta à sua, aí tudo parou.
Há uma espécie de escudo invisível que protege quem não cumpre a lei, que não deixa ver o que se dá a quem não tem direito a receber, que não tira o que está indevidamente concedido, como forma de colocar em igualdade de circunstâncias, todos os cidadãos que passam a vida a olhar desconfiados para o lado.
Quantas vezes esses favores não passam da satisfação de meros caprichos ou teimosias desses amigos, que apenas visam fazer birras a quem reclama qualquer coisa que os incomoda, ou lhes vai mexer em estatutos a que se julgam com direito, ainda que não passem de mero pavonear de importâncias auto atribuídas.
Depois, muita gente se queixa nos locais errados, como se apenas pretendesse mostrar aos outros, precisamente o lado das coisas que não conduzem a lado nenhum ou, caso frequente, apenas serve para iludir a verdadeira raiz do problema.      
A verdade é que isto funciona assim mas, aceitar isto, é a pior maneira de alguém contribuir para que passe a funcionar melhor. Não é com fachadas mais ou menos cheias de boas intenções que se deita fora o lixo que está dentro das salas atulhadas de papéis que, mais tarde ou mais cedo, servem apenas para ser feitos em tirinhas.
Mas, se isto funciona assim, é porque assim é que está bem para alguém.