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afonsonunes

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13 Mai, 2009

Leiria mais uma vez

 

Depois de ‘Leiria é a casa dela’, em 04/04/09, em que aqui dei conta de um fenómeno de ‘bem servir’ os seus munícipes, por parte da Câmara Municipal de Leiria, volto hoje ao assunto para referir que o muro da vergonha, ou da pouca-vergonha, já vai a mais de meio, passados que estão três meses desde que o piso da rua do Alambique abateu.
Os moradores é que ainda não beneficiaram nada, porque continuam a ter um acesso intransitável, pois a terra que encheu a cratera já abateu em grande parte. Trabalho deitado à rua, dinheiro nosso que foi para o galheiro, uma vez que aquilo que se faz na obra em dois dias, vai por água abaixo com as paragens de semanas a fio.
Três meses sem conseguir reparar uma rua de menos de cinquenta metros que ficou sem piso, é obra. Sim, é uma obra de que se pode orgulhar a Câmara de Leiria, que recebe IMI há anos, de dezassete moradores e não tem vontade ou dinheiro, para lhes dar condições mínimas de utilização de um acesso decente às suas casas e às suas garagens.
Ali, para peões de três ruas da Quinta de Santo António, o percurso de metros até à Avenida Adelino Amaro da Costa, foi trocado por um percurso de ir à volta, de cerca de um quilómetro, devido à falta de ligação da rua do Alambique com a Rua Emília Perpétua Paiva, através de uma escadaria destruída, que agora é um precipício de mais de três metros de altura.
Lá continuam afixados avisos anunciando obras urgentes, por tempo indeterminado. Os moradores têm boas razões para pensar que é por tempo teimosamente, maldosamente, prolongado, indefinidamente, por teimosia e maldade de alguém, que tem qualquer coisa atravessada não sabem onde. Mas há quem pense que sabe.
Será que os moradores da Rua do Alambique só servem para pagar impostos à Câmara? Há coisas que parecem um mistério impenetrável, mas esta coisa faz pensar em muitas coisas, que só são possíveis onde falta um mínimo de respeito por quem paga caprichos de gente, que nem gente parece.
A única explicação dada a quem reclama é que escreva uma carta para a Câmara. Será que Câmara tem protocolo com os Correios para consumir uns selos para entreter? Ou será que a Câmara tem falta de papel para reciclar?
Será que neste país ainda há gente que está completamente imune às suas responsabilidades perante os cidadãos que tem o dever de servir? Ou será que neste país ainda há gente que só pensa em servir-se?
Entretanto, quem está bem mal servido são os moradores da Rua do Alambique, que não têm culpa de terem comprado uma casa, provavelmente, no lugar errado de uma cidade linda, que não tem culpa de ter uma ou outra pessoa feia, que se dá bem com o cheiro que vem do rio, em dias de descargas nos milagres.
Parece que já era tempo de alguém aliviar a sua consciência, com uma boa descarga de sensatez e um contributo para o bom nome da instituição que lhe paga, ou lhe permite esta espécie de estupidez na interpretação dos valores que essa mesma instituição diz defender.