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afonsonunes

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16 Mai, 2009

Um dia em cheio

 

As contingências da vida trazem-me situações verdadeiramente deploráveis, mesmo quando estou convencido que a vida já não tem nada escondido que me possa surpreender. Isto só acontece a quem se põe a falar antes do tempo, como foi o meu caso, a propósito da viagem do Zé até à ilha.
Não aconteceu nada, mas absolutamente nada, daquilo que eu tinha previsto. Em primeiro lugar, porque o Zé não levou o Moreira de cá e, está agora provado, não fez lá falta nenhuma. Simplesmente, porque o Moreira de lá, parece que também resolveu ir fazer um passeio até ao Pico do Areeiro.
Ora, sendo assim, só podia ter sido um bom dia para o Zé pois, sem Moreiras, a bonita cidade do Funchal ficou tão calma e serena, que mais parecia um jardim à beira mar plantado, sem aquelas guerras de rosas e flores de laranjeira, com uns cravos vermelhos de permeio.
Mas, o mais surpreendente de tudo, foi a diplomacia do Alberto que, normalmente, se está borrifando para essas coisas de conversas demasiado institucionais, preferindo dar livre trânsito à língua, pouco habituada às exigências protocolares. Em boa verdade, que eu tenha ouvido, não disse nada, embora me pareça que o Zé sempre ouviu qualquer coisita.
Sinceramente, ainda não sei como é que aquilo aconteceu. Estou mesmo convencido que deve ter havido ali umas pressões, daquelas que são legítimas, claro, no sentido de que mostrassem às gentes da ilha que, tal como cá, no continente, a maior parte das conversas escaldantes, é só blá-blá para militante aplaudir.
Não há dúvida de que o Zé, que anda bastante carecido de calma e de amigos, teve ali o seu dia de repouso, sobretudo para os ouvidos, sem aquelas habituais romarias embandeiradas que costumam aguardá-lo, em todos os locais onde se desloca. Há quem diga que ele costuma pôr algodão em rama nos ouvidos, mas ali não foi preciso.
Porém, a maior e a mais agradável surpresa que o Zé ali recebeu, foi a notícia de que o Manuel, afinal, era seu amigo e iria continuar a sê-lo, por muitos e bons tempos, mesmo tendo de resolver o problema do repouso dos olhos, em qualquer outro local a combinar. Compreende-se, porque o parlamento é muito ruidoso.
É curioso como estas coisas acontecem. O Zé deve ter ficado muito satisfeito por saber que tem amigos na ilha e, principalmente, porque o Alberto, não o sendo, portou-se como se o fosse. Já era uma boa notícia. Talvez até inesperada.
Agora ter de ir à ilha para saber que o Manuel continuaria a estar com ele, isso foi o máximo. Para o Zé, evidentemente. Ora, duas notícias destas, num só dia e num local que toda a gente sabe que é um jardim à beira mar plantado, é demais.
Não admira, pois, que durante toda a visita, e depois dela, a notícia foi o Manuel.
Alegre visita esta para o Zé que, neste momento, só pensa em conquistar amigos e, a continuar assim, em Outubro já deve ter uma data deles.