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afonsonunes

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No espaço de poucos dias dois tribunais foram assaltados para levarem as caixas multibanco instaladas no seu interior. Não havia vigilância entre a meia noite e as oito da manhã.

O ministro da justiça apressou-se já a garantir que todos os tribunais passariam a ter vigilância durante toda a noite. Deduz-se que a medida se destina a garantir a segurança das caixas multibanco, uma vez que as instalações e os serviços dos tribunais em causa não foram afectados

Talvez a minha inteligência não atinja bem o alcance desta decisão do ministro, mas tenho cá para mim que quem devia garantir a segurança das caixas multibanco eram os próprios bancos, uma vez que são eles os beneficiários dessas instalações de alto risco, como se tem verificado.

Aliás, não compreendo mesmo porque razão o ministro, e outros ministros, não se lembraram ainda de proibir as caixas multibanco dentro dos edifícios públicos, uma vez que elas põem em causa a segurança das instalações, sem contrapartidas para os próprios serviços. Os cidadãos que retiram benefícios da sua utilização, não ficariam muito prejudicados se fossem às proximidades desses edifícios, pois as caixas multibanco já pegam umas com as outras, em tudo quanto é sítio.

Ser o estado, todos nós, afinal, a contribuir para que os lucros dos bancos não parem de crescer, é um atentado aos nossos já tão exauridos bolsos. Já só nos faltava pagar a segurança das caixas multibanco.

É muito importante, sim, que os tribunais tenham segurança, mas no que respeita a todas as pessoas que ali trabalham, ou ali se desloquem, e a todos os processos, que são demais, e ali se encontram à espera de resolução. Mas isso nada tem a ver com os interesses dos bancos, que só a eles compete resolver, até porque as medidas eventualmente a serem tomadas, provavelmente, serão muito diferentes de caso para caso.

Ao estado, o que compete ao estado, e os bancos que assumam a segurança dos seus lucros que, ainda assim, seremos sempre nós, os utilizadores, a pagar com língua de palmo.