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afonsonunes

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Mas que espectáculo!... Aquilo, sim, é televisão do melhor que se pode imaginar, com duas figuras a fazerem figura de quem tem tudo no sítio. Só quem não viu, pode ter dúvidas de que não é possível fazer melhor em tão pouco tempo. Ela julgava que ele era como os outros. Ele, julgava que ia ensinar-lhe alguma coisa.
Aquele era o sítio ideal para cada um deles tirar o seu coelho da cartola. E era o dia ideal para dar tudo o que cada um deles tem para dar. Era sexta-feira ao fim de um dia de trabalho para muita gente, logo, tudo a condizer para, calmamente, no sofá da sala de jantar, assistir a qualquer coisa de inédito nas nossas noites chatas e indolentes frente ao televisor.
Até o som teve outra vivacidade, tal como a imagem, a causar grandes problemas aos câmaras, por não saberem para que lado haviam de dirigir as objectivas, por causa de duas fontes de novidades imperdíveis, conjuntas e sugestivas, empolgadas e desafiadoras, ambas prontas a deixar a outra estendida, vencida e acabada no tapete.
Mas, nada disso aconteceu porque, tanto ele como ela, estavam no sítio devido e, digo eu, ambos tinham tudo no sítio. Ele só abanava a língua, e com que vigor. Ela não podia mexer-se muito, porque há sempre o risco de cair qualquer coisa com a trepidação. Apenas o guião da entrevista terá sofrido bastante, mas valeu a pena. Nesse aspecto, tudo correu às mil maravilhas.
Desde há algum tempo que ele nos habituou a lançar umas pedradas no charco. Desde há algum tempo que ela nos habituou a mandar gente para o charco. Por mim, entendo que pedras e pessoas, não devem ser atiradas para lado nenhum, ao mesmo tempo, devido ao risco de cabeças partidas.
Até porque o local da entrevista não é nenhum charco. Sem prejuízo de que, espectáculo é espectáculo e, por ele, até se tolera umas cabeças perdidas que nos levem ao delírio, como estou certo que aconteceu nessa sexta-feira à noitinha, a muitas pessoas que encheram o papinho com a graça dela e a aula dele.
Não é que me pareça que alguém tenha aprendido alguma coisa durante aqueles vinte minutitos. No entanto, a mim, causou-me um desejo semelhante à sensação de barriga vazia, suspirando por muitos momentos destes, em que não há ninguém a bater no ausente, sem que leve de volta o pau que usa.
É por isso que ele os tem no sítio, e é por isso que ela fica a conhecer melhor o sítio deles, quando alguém os tem lá. Só que ela está habituada a olhar apenas para o sítio dela, talvez porque julgue, e vá continuar a julgar, que esse é o melhor sítio do mundo.
Cada um que faça o seu juízo, que eu também faço o meu. E depois de todo o espectáculo, a meu ver sensacional, só faltou aquele abraço final de amizade, para selar esse encontro, tão histórico, para uns, mais que histérico, para outros, em que ele e ela se portaram muito bem.
Como ficou prometido, venha o próximo encontro. Obrigadinho, sim?