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afonsonunes

afonsonunes

25 Mai, 2009

Aí estão eles

 

Vão ser quinze dias de sacrifício para muita gente, inclusivamente, para mim próprio, que já não tenho pachorra para ouvir tanta parvoíce junta, qual concentrado de vozes num poço sem fundo e completamente vazio de senso comum, onde o eco de uns, se confunde com os espirros de outros.
Quinze dias é muito tempo, é muito barulho e é muito transtorno para quem tem de fazer a sua vida, quer através de ruas, avenidas e estradas condicionadas ou cortadas ao trânsito durante horas sem fim, quer através de ruidosos altifalantes, megafones, buzinas e toda a espécie de instrumentos que não respeitam a lei nem os doentes.
É assim uma espécie de vale tudo, em que não há hipótese de travar os que se aproveitam da quinzena para desopilar e vociferar contra tudo e contra todos os que não sejam dos seus lados. É a liberdade de chatear os que não têm direito à indignação, nem a usufruir de uma vida normal, dentro das leis do país que, infelizmente, já são poucos a cumprir e muito menos a fazê-las cumprir.
As eleições são necessárias e as campanhas são imprescindíveis, desde que se destinem a esclarecer e a motivar os eleitores. Se não for para isso, e está visto que na maior parte do tempo não são, então bem melhor seria que me deixassem em paz, a mim, e a tanta gente que já não pode ouvir falar em ir votar.
Mas eu sempre fui, e continuarei a ir. Porque quem for eleito, terá de me ter como apoiante, ou como opositor, mas sempre respeitando o resultado, concordando com o que me agradar, ou discordando daquilo que considerar errado ou injusto.
Presentemente, já nem consigo rir-me de certas frases que, em boa verdade, nem são cómicas, nem são trágicas, antes pelo contrário, e isto é que é para rir, frases que aparecem no alto de uns pilares, conjuntamente com umas fotografias em ponto grande, à beira das rotundas, ou junto dos jardins e das avenidas.
Não sei porquê, mas as frases, para mim, têm uma relação muito forte com as fotografias. Se a frase é destinada a incutir tristeza, a fotografia nem olha para diante, nem para trás, antes pelo contrário, se não olhar para os lados. Se a frase quer distribuir alegria, a fotografia tem, com certeza, um riso amarelo que não engana mais que uns tantos.
Há quem não goste que eles, os das fotografias, façam promessas através das frases que têm ao lado. Dizem que eles nunca cumprem coisa nenhuma. Eu não estou de acordo. Gosto que eles façam promessas porque, mesmo que as não cumpram, é sinal de que têm ideias, que sonham com qualquer coisa, ainda que do outro mundo.
É só ver as figuras que fazem aqueles que dizem que não fazem promessas. Certamente que não têm assunto para mobilizar tropas ansiosas por conseguir aquela promoçãozinha há tanto tempo esperada. É que nem conseguem mesmo criar uma família, daquelas que reúnem os seus membros à volta do tacho do rancho.
Mas, ainda gosto mais daqueles que põem todo o seu esforço, todo o seu pensamento, todo o seu físico, todo o seu sorriso, ao serviço do seu opositor de estimação. Não é tarefa fácil, ter de arranjar todos os dias, a todas as horas, umas palavrinhas que reforcem essa estimação, se é que não podemos falar em admiração.
Podem ter a certeza que ‘eu vou botar’. Também garanto que eu ‘bou votar’. É uma boa promessa.
 

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