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afonsonunes

afonsonunes

03 Jun, 2009

Os grossos

 

Não estarei a inventar nada de novo se disser que quando alguém está com os copos, diz-se que está grosso. Ora, quando alguém está grosso, não tem a noção do que diz, nem do que faz, beneficiando daquele dito popular que afirma que, ao menino e ao borracho, põe Deus a mão por baixo.
Borracho é mais ou menos a mesma coisa em termos de copos embora, em termos de beleza, a música seja outra. Mas, agora, estamos com os grossos na mente e vamos a eles. Realmente os grossos acabam sempre por ter a protecção divina, provavelmente, porque são considerados irresponsáveis, logo, eles sabem disso e abusam.
Em tempos de crise seria lógico que certa gente bebesse mais água que álcool pois, por enquanto, ainda é mais barata. Mas, a verdade é que essa gente, sobra-lhe dinheiro para se engrossar e não lhe sobra pudor para curtir a grossura onde não incomode ninguém.
Não estou a pensar em ninguém, isto é, em nenhum grosso ou grossa em particular. Mas vamos encontrá-los, e encontrá-las, em todos os sectores da vida nacional. Felizmente que não são muitos. São assim uma espécie de nódoa que cai no melhor pano. Porém, quando a grossura anda por aí a ser badalada por tudo quanto é sítio, a borracheira, cheira mesmo ao que se bebeu com fartura. E então, enjoa mesmo.
A gente todos os dias e a todas as horas, ouve coisas que nem a grossura desculpa, ainda que essa grossura seja de origem cultural, comportamental ou interesseira, o que vai dar ao mesmo, em termos de toldar a vista, alterar a voz, fazer tremer as pernas, e não só.
Depois, até parece que a grossura se pega a certas pessoas que tendem a ser contaminadas, assim do tipo de fumo passivo. É daí que vêm certos ataques de tosse, daquela tosse seca, semelhante à tabaqueira que, mesmo bem regada, é sempre chata e difícil de calar.
Alguns desses grossos que eu vejo, oiço e leio, gostam muito de dizer, quem tem medo desta ou daquele, quando essa ou esse grosso, lhes satisfazem a sede mórbida do seu encharcamento, que aumenta sempre à medida que vão bebendo.
Para esses grossos, o medo está dentro deles próprios, pois receiam perder a possibilidade de matar o vício, bebendo sem regras e sem medidas, da garrafa que têm sempre à mão, na mão de quem está mais borracho, mais bêbado, mais grosso que eles.
Daí que eles, a certa altura, já não sabem o que ouvem, já não sabem o que dizem, mas tentam fazer-nos crer que estão mais sóbrios que nós.
É o vinho, meu bem, é o vinho. Já ouvi isto em qualquer lado, e há muito tempo. Só que hoje, o vinho não é o único culpado e, a maior parte das vezes, nem sequer tem culpa nenhuma das grosserias desses grossos incuráveis.
Confesso que não tenho medo dos grossos, mesmo dos muito grossos, porque faço os possíveis, quando me cruzo eles, de deixar uma certa margem de espaço entre nós, contando com as curvas que as suas pernas descontroladas descrevem.
Por isso eu pergunto, quem tem medo das grossuras que se vêem por aí?