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afonsonunes

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Esta frase tem muitos anos e tem um significado muito para além das palavras que a integram. Ela vem da época do Portugal das colónias, do tempo em que muitos jovens portugueses foram obrigados a deixar tudo por troca com a guerra do ultramar.
O adeus era feito de lágrimas nos olhos dos que partiam e dos que os viam partir. Até ao meu regresso, queria dizer exactamente que essa era uma esperança que não estava dada como adquirida, porque se sabia que muitos deles deixavam lá a vida para sempre.
Hoje, sexta-feira cinco de Junho, também é dia de despedida, totalmente diferente daquela mas, lembrei-me do adeus a estes simpáticos soldados dos partidos que, há quinze dias, andam nesta guerra da conquista do voto, onde não se morre com balas, mas luta-se muito pela vidinha.
É hoje que lhes dizemos adeus, com a certeza de que eles vão ficar bem melhor que a gente do povo que lhes vai dar o bilhete de ida no próximo domingo. É hoje que eles vão dormir sem o incómodo de estarem a pensar no que vão dizer e fazer amanhã, dia em que dizem que o povo está a reflectir.
É hoje que eles dizem adeus ao povo que tudo lhes dá, porque lá, para onde vão, não terão povo à sua volta, a lembrar-lhes tudo o que prometeram nos últimos quinze dias. Amanhã de manhã, respirarão fundo e sentirão um alívio enorme, porque pensarão que o pior já passou.
Sem dúvida que é tempo de adeus. Resta saber se eles pensam que é até ao meu regresso. Meu, deles, como é óbvio. As dúvidas destes soldados da palavra, não são as mesmas dos soldados das guerras coloniais, e ainda bem.
O povo sabe perfeitamente que é assim e, se dantes chorava por quem partia agora, depois de domingo, fica a leste de tudo isso, como se depois do voto na urna, restasse o silêncio do túmulo. Por mais que os discursos, os debates e as arruadas, tivessem levantado grandes temas, grandes iniciativas e grandes esperanças.
A verdade é que, depois de domingo, restará a pequenez de pouco mais de duas dezenas, no meio de muitas centenas de vozes, com a agravante dessas duas dezenas serem ainda bastantes discordantes entre si, como tivemos oportunidade de ouvir durante quinze longos dias.    
Depois, há os que nunca lhes vão dizer adeus, nem nunca vão esperar pelo seu regresso, porque foram eles que disseram adeus antecipado no tempo e partiram, ou vão partir, fazendo votos de dias bem mais animados que uma simples ida às urnas.
Para esses, o seu destino não se cruza com o destino dos eleitos, nem lhes entrega o direito de serem felizes, sem que o sejam eles primeiro. Provavelmente, esses não votantes, até pensam que os eleitos devem ficar por lá, sem pensarem muito no regresso.
Eles sabem e nós sabemos, que não tarda que haja mais do mesmo, dentro de pouco tempo, com outros protagonistas. Portanto, não custa nada dizer hoje, adeus até ao nosso regresso à febre da nova campanha que aí vem.