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afonsonunes

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É evidente que não sou o homem que abre os braços frente ao mapa do país e onde se vêem os sinais do tempo. Nuvens brancas, nuvens negras, quase sempre sol, para desencanto de quem gosta de se molhar. Muita indiferença para aqueles que andam permanentemente de molho.
Falar do tempo é, muitas vezes, falar para não estar calado, é uma espécie de tema do tipo de desenrasca conversas, quando minguam assuntos mais interessantes para desenvolver. Ou, num daqueles dias ou ocasiões, em que há motivos especiais para não tocar em determinadas matérias, das quais já se falou de mais.
Ora, hoje é um daqueles dias em que não se pode, ou não se deve, continuar a bater na vaca fria, porque está estabelecido que não se fala mais nisso. Portanto, é obrigatório falar do tempo, nem que seja do tempo que falta para amanhã, em que já se pode voltar a falar de tudo isso.
Entretanto, hoje, até está um dia mesmo a jeito de reflectir sobre o que se vai fazer amanhã, para quem está disposto a fazer alguma coisa, sabido como é que, quem foi de férias, ou de simples escapadela, está com mais tendência para culpar S. Pedro do tempo que lhe mandou que, propriamente, reflectir sobre aquilo.
Hoje, como ia a dizer acima, está óptimo para reflectir. Está fresquinho e até já vieram lá do alto umas pinguinhas que ajudam a manter as ideias fora do indolente banho-maria, ou do suadouro das saunas de oratória excessiva.
É bom a gente ter tempo para falar do tempo. Sobretudo, desta chuva de Junho, que nos chega através de aguaceiros e trovoadas, que sempre incomodam alguém, apesar dos benefícios que muita gente nunca quer ver. Porque nem toda a gente traz consigo o guarda-chuva. Coisa chata e incómoda para se trazer pendurada no braço.
No entanto, penso que mais chatos são os comodistas, que preferem arriscar uma molha valente, a carregarem o guarda-chuva. Preferem dizer mal do tempo, sem pensarem nos seus benefícios, nem no poder regulador de S. Pedro, que pode ser acusado de inoportuno, mas negligente é que ele não é.
Depois dos aguaceiros e trovoadas de Junho vai, com certeza, pensar no tempo que nos dará em Outubro e Novembro. Sensato como é, vai tentar aligeirar males e conter excessos de temperaturas ambientais, ou não fossemos nós uns felizardos em matéria de clima.
Atrás de tempo, tempo vem e amanhã, com este tempo de aguaceiros e trovoadas, alguém, porque há sempre alguém, vai descarregar sobre S. Pedro, desilusões e frustrações que ficarão guardadas internamente.
Porém, em público, toda a gente falará do tempo excelente que o dia lhe proporcionou. Calmo, risonho, fresquinho, agradável, convidativo a umas saúdes e a uns copos de comemoração.
É bom ver gente feliz nos tempos que correm. Sinal de que o tempo, de sol ou de chuva, não é um problema de toda a gente.