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afonsonunes

afonsonunes

10 Jun, 2009

Te cuida

 

Muita festa, muitos foguetes verbais, daqueles que não têm canas para apanhar. Mesmo assim, houve muita gente à procura delas. Das canas, claro. Mas, bem vistas as coisas, se houve foguetes, foi de lágrimas, porque os outros, os das canas que os festeiros não conseguiram apanhar, foram para os seus parceiros de luta.
É um facto que a maioria absoluta morreu ontem, embora tenha o funeral adiado para daqui a uns meses. Isto porque o cadáver ainda não está de posse do cangalheiro e, sem cadáver, não pode haver funeral. Isto, para desgosto de quem já pediu a certidão de óbito, só porque lhe cheira a cera de velório.
Em contrapartida, acaba de nascer uma minoria absoluta que, tudo o indica, vai ser de pão com rosa, ou de pão com laranja. Tudo vai depender dos próximos episódios de continuação das lengalengas. É uma questão de mais verdades que mentiras, ou de mais mentiras que verdades.
Nesse aspecto, as mentiras e as verdades andam por aí à procura de quem as queira apanhar, convictos que elas estão completamente separadas por um muro, para mim, o muro da vergonha, para outros, o muro das grandezas que a imaginação continua a querer ressuscitar de entre os mortos.
A maioria absoluta que agora, tudo o indica, vai dar lugar à minoria absoluta, cometeu o erro de encanar a perna à rã, provavelmente, à espera que o pão com laranja, não passasse de pão seco pois, normalmente, quando as laranjeiras criam nova flor, as laranjas velhas caem podres, no chão.
Afinal, viu-se agora, o pão seco resultou das rosas que murcharam. Porém, em seu lugar, não cresceram laranjas para juntar ao pão, antes se vendo crescer blocos e foices que, em termos de acompanhamento de pão, ainda não se sabe bem como vai ser. Mas, digo eu, talvez estejam garantidas umas sandes de qualquer coisa.
Dos blocos já veio o aviso prévio, para que as laranjas se cuidem, o que pode ser entendido como uma indicação de que as rosas podem respirar um pouco, uma vez que já estão murchas, logo, inofensivas. Laranjas activas e ofensivas deixarão, pois, de ser aliadas de blocos e foices, que vão aliviar a pressão sobre as rosas. Ou não?
Temos pois em perspectiva uma minoria absoluta, a grande arma contra a maioria absoluta que, certamente, só era má, porque era rosácea, pois virá a ser muito desejada pelos citrinoss, quando estiverem em risco de caírem no chão, como ainda estará na memória de quem não a tem muito curta.
A verdade é que as nossas maiorias ou minorias, absolutas ou não, citrinas ou rosáceas, desde os primórdios da nossa democracia, nunca atinaram com o caminho mais indicado em direcção ao benefício do povo. Antes deram sempre primazia aos interesses daqueles que, chamando corrupto a tudo quanto mexe, lá conseguiram sempre esconder os verdadeiros corruptos. Que já estão mais ou menos à vista. Apesar de certas cegueiras.
E, apesar de tudo o que parece mudar, lá vai continuar tudo na mesma, pois, se as rosas murcham com o tempo, as laranjas apodrecem ao cair da laranjeira. Por isso, te cuida.