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afonsonunes

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13 Jun, 2009

Jeitos

 

Cada um vai descobrindo os jeitos que tem, à medida que vai crescendo. E há mesmo quem veja crescer os jeitos muito mais do que cresce fisicamente. Isto para não falar no crescimento mental e intelectual, onde os jeitos ou a falta deles, se notam à vista desarmada.
Como nunca ninguém me disse que eu tinha jeito para qualquer coisa, comecei de muito novo a trabalhar, coisa que me parece que não é preciso ter grande jeito. Ao menos, podia ter sido eu a descobrir que tinha jeito para não fazer nada. Mas sempre tive esta mania, que não é jeito nenhum, de ser diferente daqueles que mais falam e menos fazem.
Depois, lá aparece um de vez em quando, que diz saber desde pequenino, que tem jeito para isto ou para aquilo. Para exemplo, cito o caso de vários Ronaldos, quase todos brasileiros, mas um português também, aliás o maior, que têm aquele jeito no pé, e na cabeça, que lhes veio do berço, sabe-se lá porquê.
Não sabemos nós, mas devem saber as mamãs e os papás, pois devem lembrar-se muito bem das voltas, ou das fintas que deram ou fizeram, na devida ocasião. Aliás, toda a gente deve ter jeito para dar as suas voltas e fazer as suas fintas, só que os resultados é que são muito diferentes de caso para caso.
É por isso que encontramos tantos jeitosos e jeitosas, gente com jeito, note-se, para a bola, para a dança, para as corridas, para a medicina, para as descobertas, para viver à custa dos outros, e muitas outras actividades e especialidades. Tudo bons modos de vida, porque em todos eles se ganha muito dinheiro, senão não eram bons.
Mas, descobri agora, que há um modo de vida para o qual é preciso ter jeito desde muito novo. Aliás, eu não descobri nada, porque foi um jeitoso, que me parece que só agora se apercebeu que o era revelando, desde logo, esse segredo escondido de que, desde pequenino, lhe pareceu que tinha muito jeito para a política.
Realmente, eu estou inteiramente de acordo com ele. A generalidade dos políticos precisam de ter um jeito muito especial parra fazer a política que eu vejo fazer à minha volta. Porque eles fazem uma espécie de política de frases feitas, quanto mais estupidificantes melhor, quanto mais sensatas pior.
É preciso ter muito jeito para dizer bem, aquilo que eles sabem perfeitamente que é muito mau. É preciso ter muito jeito para ser capaz de vender banha de cobra, mesmo a quem sabe o veneno que a cobra tem dentro dela. É preciso ter muito jeito para se envaidecer a cada sorriso que recebe e a cada salva de palmas que ouve.
Porém, quando chegar a primeira derrota, todo esse jeito terá o sabor de um arrependimento profundo de o ter confessado. Só então reconhecerá, que há jeitos que mais valia estarem escondidos, porque de súbito, lá vem o dia, quase sempre inesperado, em que o jeito se transforma em aselhice.
O jeito para a política que vem de pequenino, normalmente, morre muito antes de se chegar a velhinho.