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afonsonunes

afonsonunes

15 Jun, 2009

Ingratos

 

Ingratos são, mais ou menos, todos os portugueses, porque não sabem reconhecer todos os benefícios que recebem, ou receberam, dos políticos que os amam até à loucura. Que se sacrificam até à exaustão pelos seus queridos concidadãos, sendo muito bem capazes de abdicar dos seus direitos, que até são poucos, para colmatar dificuldades pontuais ou permanentes dos deserdados da sorte ou do estado.
Podemos facilmente constatar esta realidade, olhando para a sociedade que temos onde, se alguém passa por dificuldades de perder a cabeça, são exactamente os políticos. Porque os cidadãos podem ter uma ou outra dor de cabeça mas, com uma pastilha dos genéricos, que agora até são de borla, adeus problema. Os políticos, não. Quando têm um problema na cabeça, só têm um remédio que os pode salvar. É cortar a cabeça. 
Mesmo depois de os políticos a terem perdido, os portugueses ainda continuam a ser ingratos para com eles. Por exemplo, chega a ser crueldade, ver como um político com um currículo quase inigualável, que criou pontes entre o país e o resto do mundo, por onde circularam biliões, ser tratado como um reles traficante de moeda falsa. Não, a cadeia não foi feita para heróis desta estirpe.
Um político, outro exemplo, que um dia foi a Porto Rico passar férias, teve a ideia luminosa de tentar criar um Portugal Rico. Podia simplesmente ter-se ficado por uma Lisboa Rico, não soa bem, talvez um Porto Rico na foz do Douro. Mas, dentro da sua modéstia, começou pelo princípio. Primeiro, fez-se, ele próprio, rico, sempre com o Portugal Rico no pensamento. Se ele já era, ainda faltavam os outros.
Os ingratos, só deixaram que ele se ficasse pelo princípio. Mais, certamente que ninguém vai acreditar mas ele, mesmo muito rico, não tem nadinha dentro dos bolsos. Já foi confirmado, depois de o virarem de pés para cima e cabeça para baixo. É inacreditável, mas toda a riqueza dele deve estar por aí, nas mãos desses ingratos que não o deixaram criar o Portugal Rico.
Ele sabe do que fala quando diz que não há gratidão. Porque ele sabe perfeitamente que lhe roubaram a ideia do Portugal Rico, que o não deixaram concretizá-la, porque os ingratos andam agora a recomeçar o seu projecto. E vão começar pelo princípio, tal como ele.
Mas, pior que isso, muito pior, para os ingratos, são todos aqueles políticos que, depois de perderem a cabeça na política, foram recuperá-la no mundo dos negócios. Chamam-lhes corruptos. Ora aí está outra ingratidão que, só por pura distracção se desculpa, a quem perde a memória de um momento para o outro.
Quando esses políticos estavam no activo, não deixavam de gritar, rua com eles, fora daqui, e por aí adiante. Agora que eles estão sossegadinhos, quase sempre caladinhos, que só incomodam porque ganham bem, com franqueza… Será que os ingratos querem ir para o lugar deles? Tenham calma, também chegará a vossa vez.
Realmente, alguém disse que na política não há gratidão. Eu assino por baixo. Ingratos.