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afonsonunes

afonsonunes

25 Jun, 2009

'Suíno-cultura'

 

Sempre tive esta mania de ser muito transigente com todos os que não sabem fazer mais que chafurdar e lançar grunhidos para cima das pessoas, quando o instinto lhes diz que, sendo assim, toda a gente vai acreditar que são heróis e libertadores, atacando uma postura que está muito acima do nível da pocilga.
Muito claramente, quero dizer que estou a pensar nuns, para mim, ‘suíno-malabaristas’ que se pronunciam sobre política e políticos, colocando-se no patamar de deuses, de braços estendidos em direcção à terra, como se abençoassem ou excomungassem, quem muito bem lhes desse na real gana.
Deuses ou pobres diabos, para mim tanto faz, porque quem pensa que tem o privilégio de sujar os outros, com a excelência dos seus ‘suíno-pensamentos’, não passa de um charlatão de feira de vaidades que, na sua especialidade, nem chega aos calcanhares de vulgares vendedores de ilusões nos mercados municipais ao ar livre, ou à beira das estradas.
Todos sabemos daqueles que até os ouvem com agrado. Provavelmente, porque fazem como eles. Naturalíssimo. Mas, há aqueles que pensam como eu. Naturalíssimo também. Com uma diferença, também ela mais que natural. A malcriadice da maneira como aqueles se rebolam no chiqueiro, contra a naturalidade como estes aceitam críticas, tal como rejeitam rebolar-se sob a desculpa de que têm opiniões.
Mas, tem toda a lógica perguntar, por onde é que eles andam. É fácil encontrá-los, apesar de não serem muitos. Em jornais, em televisões, em rádios, em partidos, normalmente em secções em que pretenderão ser uma espécie de guardiões com super poderes.
Não sou um defensor de nada, nem de ninguém, que não esteja de harmonia com a minha maneira de pensar. E, confesso que não é fácil sentir-me satisfeito com o que penso ou digo, só porque simpatizo ou antipatizo com pessoas ou situações.
Contudo, como já referi antes, até transijo bastante com o massacre sistemático e prolongado, mesmo de quem não gosto, porque sei que isso dá um gozo mórbido, com muito sadismo à mistura, ou pretende agradar a quem garante uma situação de estabilidade no meio da mobilidade reinante.
As ideias combatem-se com outras ideias, que se julga ou pressupõe sejam melhores que aquelas que se pretende substituir, senão corre-se o risco de deixar cair a máscara que encobre o vazio de rostos indefinidos e inconsequentes.
 Como comecei por falar de ‘suino-cultura’, passando pelas respectivas pias, julgo que devo terminar a falar de grunhidos que, de algum modo, terão ditado esta atitude mais próxima da vianda que se vai lançando nas tais pias suínas.
Entre muitos dos citados ruídos que se ouvem, destaco um que me espevitou os tímpanos. A comparação de um governante português, ao ministro da propaganda de Saddam Hussein. Penso que não há propaganda partidária mais ‘suinária’, que a deste comentador  e, certamente, sucedâneo do ditador do velho Iraque. Para mais, alinhado com as posições do seu partido, em relação à guerra que ali nasceu, que ainda estamos a suportar e que ele, agora, de modo tão inteligente e limpo ainda recorda.
Aí vai outra que não é novidade entre tantas. Um colunista do DN oferece-nos a comparação de outro governante português, à mosca da televisão. É claro que a televisão tem muitas moscas. Entre elas, muitas moscas varejeiras, altamente virulentas, que deixam larvas onde poisam, estas, estranhamente bem aceites por esse oblíquo observador. O que é de estranhar, é o facto do colunista ainda não ter percebido que, ele próprio, para muita gente, é assim uma espécie de mosquito de jornal, quase invisível, sempre a tentar picar a mosca.   
Por hoje, não quero lembrar mais ‘suíno-dependentes’, nem mais ruídos adjacentes. Só espero que não queiram que seja apenas eu, a não grunhir, sempre que sinta necessidade de comunicar com aqueles que não percebem outro idioma.