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afonsonunes

afonsonunes

25 Ago, 2008

Fases

 

 
 
A Lua tem fases, tal como o mar tem marés e as pessoas têm altos e baixos na  vida. Há a lua cheia, a maré cheia e momentos altos da nossa existência que nos levam a pensar que tudo no mundo é belo e duradouro, esquecendo que há a lua nova, a maré vazia e tempos difíceis que nos levam ao desalento.
Para além dessas fases inevitáveis, temos de enfrentar, tantas vezes com muita coragem e paciência, as fases que nos são impostas pela modernidade que nos rodeia, nos absorve e nos domina até.
Por exemplo, as televisões têm fases informativas que parecem sair de um cartel poderosíssimo que nenhuma regra ou lei é capaz de combater. É difícil compreender como vários canais conseguem sincronizar-se e apresentar a mesma notícia, ou sequências de notícias, ao mesmo tempo, da mesma maneira concertada, em vários serviços noticiosos, não só do mesmo dia, mas durante dias consecutivos, que voltarão a repetir mais tarde, como se esses acontecimentos voltassem a ocorrer.
A fase dos crimes, dos polícias e dos ladrões ocupa já, a par da fase dos pobres e da pobreza, uma prioridade que inutiliza qualquer viabilidade de se conceder escassos segundos à agenda informativa de acontecimentos de interesse geral, porventura positivos, sem cargas derrotistas criadoras de estados de espírito deprimentes mas, pelo contrário, fazer ver que há outras formas de encarar as dificuldades da vida.
Fala-se demais dos poucos crimes não desvendados, em prejuízo dos inúmeros casos difíceis resolvidos. Agita-se muito a bandeira da pobreza, sem se realçar tudo o que se esbanja, calando e omitindo luxos e vícios que escandalizam quem pensa a sério nos problemas da pobreza e dos pobres.
No meio de tanta incongruência, é de toda a conveniência realçar que andam muitos pobres de espírito metidos nestas fases de tentar criar o alarido colectivo.