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afonsonunes

afonsonunes

11 Jul, 2009

O Bazófias

 

Bazófia é uma espécie de indivíduo cheio de fanfarronice para quem a vida não passa de uma exaltação constante de pretensas qualidades da sua pessoa, ainda que todos vejam nele uma espécie de guisado de restos de comida que, curiosamente, também pode ser bazófia.
Em ambos os casos não passa de um requentado fanfarrão, cuja prosápia só engana os mais distraídos, ou desconhecedores do currículo, normalmente, recheado de acontecimentos que já o têm devidamente referenciado, apesar de todas as jactâncias dos seus próximos, presos a alguns interesses mais ou menos visíveis.
Mas, deixo esse indivíduo singular e passo ao Bazófias no plural, embora continue a falar apenas de um, e esse, bem conhecido no país inteiro, devido à sua localização, onde se tornou fonte de inspiração de doutores e vazadouro de sonhos e ilusões que marcaram vidas para sempre.
Coimbra dos doutores é a cidade do Bazófias, Mondego para a geografia, mas é também albergue para uns tantos bazófias que, infelizmente, existem por todo o lado, para nossa estupefacção quase diária, ao conhecer um após outro, com mais ou menos eco nos veículos comunicacionais que os transportam até nós.
Da cidade do Bazófias veio agora mais uma remessa de importantes e destacados membros da classe política que pugna pela transparência e amor à verdade, sempre prontos apontadores de dedo contra corruptos e toda a espécie de inaptos para o desempenho da causa pública.
Bons exemplos para quem não sabe imitar os seus excelentes ensinamentos, e melhores exemplos ainda, para justificar mais uns recados sempre bem dirigidos por quem de direito. Mas, como de costume, os seus nomes serão propositadamente omitidos, para que seja alargado o âmbito do seu destino.
Segundo alguns entendidos, nada na vida se pode separar da política. Tudo o que nos acontece de bom ou de mau, vai cair nos seus braços, quase sempre demasiado cheios para que nos sintamos cómodos ao cair neles. Isto, quando nem sequer evitamos cair desamparadamente no chão, por falta do apoio protector desses braços enganadores.
Por amor à transparência e à verdade, especialmente, neste período político tão emocionante, gostava de saber as cores que pintam cada um dos bazófias que se vão abotoando com o que vai desaparecendo dos lugares mais diversos, onde deviam permanecer, para bem de todos nós, pagantes desses tão frequentes desaparecimentos.
Sim, isto seria política a sério e política de verdade. Hoje é fácil arranjar listagens de tudo e de todos. Portanto, senhores da estatística, façam-me lá esse favorzinho. Os tribunais já estão informatizados, logo, deve ser fácil saber quantos são de cada cor do espectro colorido nacional.
Depois, numa altura em que tanto se propala a necessidade de se esclarecer devidamente, sem contas de cabeças erradas, quem anda a enganar-nos todos os dias, digam-nos quais os números dos computadores, pois eles seriam um bom tira teimas para eliminar macaquinhos do sótão e retirar verdades que são bem capazes de ser mentiras.
Em boa verdade, não gosto mesmo nada de bazófias. Mas adoro o Bazófias que corre à beirinha de Coimbra que, não sendo limpo, não consegue enganar ninguém.