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afonsonunes

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13 Jul, 2009

Leiria três

 

Eis uma obra de arte da câmara de Leiria, que já referi aqui por mais duas vezes. Trata-se da Rua do Alambique, em Marrazes, cujo piso abateu em 13 de Fevereiro. Já vamos em Julho e a rua continua em estado de sítio para os carros passarem, enquanto os peões para chegarem à Av. Adelino Amaro da Costa têm de dar uma grande volta, depois de atravessarem montes de cascalho poeirento e escorregadio.
A Junta de Freguesia de Marrazes, também ignora completamente este atentado ao direito de acesso minimamente decente às residências e garagens, ainda que esse acesso seja provisório. Mas, apregoa-se o bem-estar do cidadão e trata-se dele assim. Carros a estragar-se, perigos eminentes, caso dos tubos do gás natural pendurados ou estendidos no chão, ao ar livre, tal como os cabos da electricidade, além de perigo de derrocadas com as chuvas, etc.
Câmara de Leiria/Freguesia de Marrazes, eis uma parceria sintonizada na onda do deixa andar, sabe-se lá porquê. Mas o porquê deve existir e pode ser que um dia se conheça. Entretanto, quem mora na rua do Alambique, não é gente certamente. 
Mais de cinco meses de martírio já lá vão. E, com as obras paradas, sem sabermos porquê, nem por quanto tempo, talvez lá para o Natal, que é tempo de paz, de concórdia e de boa vontade, a câmara e a freguesia a quem pagamos impostos, nos ofereçam a prenda de uma rua decente, limpa e segura para todos os residentes.
‘Leiria é a minha casa’, é propaganda que já foi. Para os residentes na Rua do Alambique foi, e continua a ser, o martírio de ter uma casa no lugar errado, no entender da Câmara de Leiria e da Freguesia de Marrazes, que bem podem arranjar as mais lindas frases publicitárias para os seus projectos e para os seus sonhos. Pena é, que não transportem tudo isso para o campo da realidade, para as pessoas, para a gente que devia ser a preocupação da sua acção, a motivação dos cargos que ocupam.
Agora, para a nova candidatura, a cidade está cheia de outra frase bombástica. ‘Viva Leiria’. Falta acrescentar, ‘Morra a Rua do Alambique’. Aliás, há mais de cinco meses que está mesmo morta, enquanto os seus residentes são tratados como mortos, tal o esquecimento a que foram votados por quem devia dar-lhes aquilo a que têm direito. O direito a uma vida digna, igual à das pessoas que lha negam. Nada mais, Nada menos.
Todas as tentativas de chamar a atenção para esta situação, têm caído em saco roto, o que faz pensar o óbvio. A mim, pessoalmente, até me faz pensar na bola. Mas, vá lá saber porque raio de motivo uma coisa destas aparece assim na minha bola? Só se for porque as coisas da bola têm outras soluções, que a Rua do Alambique não tem.
Eu não sou candidato a nenhum cargo político, logo, não estou muito preocupado com as frases que aparecem nos cartazes de rua, sejam lá de quem for. Mas, como cidadão da rua mártir de Marrazes e de Leiria, apetece-me gritar: ‘Viva a Rua do Alambique!’, mesmo que esquecida, prejudicada, roubada, super perigosa, onde apenas se movimentam pessoas e carros por regos que a água das chuvas abriu, com tubos e cabos de gás e electricidade estendidos por todo o lado.
Por isso, repito, viva a Rua do Alambique!