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afonsonunes

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22 Jul, 2009

O perigo dos ismos

 

Começo por afirmar solenemente que não concordo com a abolição de todos os ismos da nossa Constituição. Quando se fala em todos ou em tudo, corre-se o risco de abolir até, aquilo que não nos dá guerra nenhuma, ou seja, aquilo que não nos incomoda minimamente.
Não será o caso do terror/ismo que, na sua forma bélica ou verbal, dá cabo da nossa paciência, mesmo depois de perdida. Mas, temos de ter em conta que há quem goste dele e a ele se dedique de alma e coração, ainda que a alma seja do diabo e o coração de dureza superior aos calhaus da serra da Estrela.
Certamente que já estarão a pensar em ismos mais moles, que também é o meu caso. E, apalpando cuidadosamente as durezas políticas nacionais, lá vamos identificando sem dificuldade, o socialismo, o comunismo, o populismo e, em termos mais gerais, uma espécie de tachismo, que anda associado aos outros ismos.
Depois, fragmentando para a esquerda e para a direita, num exercício de alargamento da conversa a outras latitudes, entrando porventura nos reinos mais personalizados, eventualmente em regionalismos mais ou menos exacerbados, lá vamos encontrar teorias que se confundem com abolicionismos mais evidentes ou menos disfarçados.
Não consigo compreender como é que o Jardinismo entende que o Comunismo não devia ser permitido pela Constituição, se ela própria não reconhece o Jardinismo. Não é sensato abolir um ismo, só porque não se gosta dele, tanto mais que do outro lado não se desgosta, nem se costuma falar de modo a mostrar-lhe aversão. A lógica seria a abolição de ambos, se eles fossem comparáveis. Mas não são.
Além disso, o Jardinismo, tem um associado que é único e à prova de todas as comparações, de todas as legislações e de todas as sujeições às cadeias de comando, e esse associado também detém um ismo muito importante, que se chama Albertismo.
Ora, se o Jardinismo e o Albertismo são dois ismos consistentes, autêntico dois em um, inatacável, durável e incurável, nunca se pode pensar em abolir o Comunismo, pela simples razão de que é um ismo muito mais benigno, que não aborrece ninguém, nem tem a capacidade verbal ofensiva que têm os dois ismos que o querem abolir.
O país já conheceu muitos ismos desde a sua fundação. Desde o Afonsenriquismo ao Anibalismo, passando pelo Joseismo, o Satanismo, o Alegrismo ou o Manelismo, além de tantos outros. O Albertismo e o seu linguismo é impar, incomparável e incontido, à prova de qualquer tentativa de competitivismo a qualquer nível.
Ora, assim sendo, não percebo que raio de animosismo move o Albertismo contra o Comunismo, já que nem sequer entram no campo da concorrência entre eles. Portanto, na minha modesta opinião, que se deixem lá dessas coisas, pois, bonito, bonito, é darem-se todos bem, como manda o bom desportivismo.
Por favor, não acabem com os ismos, senão, muita gente vai morrer de tédio.