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afonsonunes

afonsonunes

25 Jul, 2009

Lavar, lavar

 

Esta simples palavrinha está na ordem do dia devido a muitas mãozinhas pouco lavadas que andam por aí à espera que não as incomodem. Não queria empregar a palavra apropriada para as classificar porque, infelizmente, os donos delas ficam pior que estragados quando se lhes lembra a água e o sabão.
É bem verdade que para muitas delas, isso não resolve nada, ficando por demonstrar até, se uma boa dose de lixívia forte, ou uma boa esfregadela com álcool, lhes devolveria a limpeza mínima exigível para a não propagação de vírus, agora contados à unidade, a cada hora do dia e da noite.
É preciso lavar as mãozinhas antes de tudo e de mais alguma coisa, senão ficamos a ouvir a ‘A’ durante uma data de dias, sem podermos dizer uma ‘asneirinha’ sequer a ninguém, por causa do ‘peganço’. Em contrapartida, temos todo o tempo do mundo para atirar ao televisor a resposta adequada aos vírus que nos atiram de lá.   
E o pior é que eles, não só não lavam as mãozinhas quando nos falam, como também não desinfectam a língua, mesmo quando espirram e tossem desalmadamente, atirando palavras na nossa direcção, que são autênticos gafanhotos invisíveis. Estou em crer que eles e elas não se deram ao trabalho de ouvir a ministra, que estava ali ao lado, a explicar isso tudo muito bem explicadinho.
Pois, dirão que os gafanhotos vindos da televisão não são vírus da ‘A’, mas garanto que são gafanhotos que, também eles, já estão contaminados e prontos para fazer a propagação da ‘A’, pois eles já atravessaram serras e mares, para chegarem ao nosso contacto.
É preciso ter muito cuidado com os vírus que vão surgindo minuto a minuto. Dizem, e com toda a razão, que eles se transformam perigosamente, de forma a tornar muito difícil o seu combate. Até porque as ‘vácinas’ também vão perdendo a eficácia, consoante as transformações dos vírus.
Pessoalmente, já notei que o vírus S e o vírus M, são muito mais chatos que o da A, quando sou atacado, via televisiva. É verdade que a gente não morre do vírus, mas corremos o risco de adormecer repentinamente. Depois há o vírus J, o P e o L, que são os que mais me impressionam pela lucidez e clareza das suas picadelas sonoras.
Estes, ao menos, nem me dão sono, nem me tiram o sono, pois já me convenci que nem me transmitem a A, nem me vão ao bolso como os vírus S e M, sem dúvida os mais poderosos, que até gostam muito de trabalhar por turnos de quatro anos. Sim, eu também já pensei que é demais, mas o que é que eu hei-de fazer? 
Quanto a isso, há muita gente que diz que daí lava as suas mãos, como se esperasse que eles também as lavassem. Estão muito enganados aqueles que pensam assim, pois quem mete permanentemente as mãos na massa, não está para desperdiçar parte dela, debaixo de qualquer torneira, por mais fina que ela seja.
De toda a gente asseada deste país, o que se espera é que continue de mãos lavadas, mesmo que lhe digam que a massa não tem vírus, mesmo que veja os nomes deles por tudo quanto é sítio, ainda que os seus agentes difusores nos massacrem os ouvidos com a treta de que são imunes, ou que já tomaram doses industriais de ‘tamu-fli’.
De qualquer forma, também nós, podemos sempre contribuir para lavar, lavar, lavar.